'Enem' americano sofre mudanças

Alterações na prova começam a valer em 2016; parceria com a Khan Academy para aulas online pretende dar reforço a alunos que não têm condições de pagar cursinhos preparatórios

Tamar Lewin, The New York Times

06 Março 2014 | 17h54

Dizendo que seus exames de admissão não focam o suficiente nas habilidades acadêmicas importantes, o College Board (organização que administra e avalia testes padronizados de aptidão para a admissão em universidades) anunciou na quarta-feira, 5, uma reavaliação fundamental do SAT (sigla em inglês para Teste de Aptidão Escolar, um exame nos formatos do Exame Nacional de Ensino Médio, o Enem, no Brasil) pondo fim à antiga punição por "chutes" errados, eliminando palavras obscuras do vocabulário e tornando opcional a redação.

O presidente do College Board, David Coleman, criticou seu próprio teste, o SAT, e seu principal rival, o ACT (por American College Test), dizendo que ambos haviam "se desligado do trabalho em nosso secundário".

Além disso, Coleman anunciou programas para ajudar estudantes de baixa renda, que agora serão dispensados de pagar taxas de inscrição, o que lhes permitirá candidatar-se a quatro faculdades sem nenhuma despesa. E mesmo antes de o novo exame ser introduzido, na primavera americana de 2016, o College Board, em parceria com a Khan Academy, oferecerá online vídeos de instrução gratuitos e de problemas práticos mostrando como resolvê-los.

O novo exame estará disponível em papel e por computador, e a pontuação voltará à antiga escala de 1.600 pontos – em vez de 2.400 –, com pontuação máxima de 800 em matemática e 800 no que será chamado, a partir de agora, de "leitura e escrita com base em evidências". A dissertação opcional, que alunos bons em escrita podem escolher, terá uma pontuação separada.

Concorrência. O SAT, que já foi o vestibular mais proeminente para a admissão em universidades, perdeu terreno para o ACT, que se baseia mais diretamente nos currículos do ensino secundário e é realizado por um número ligeiramente maior de estudantes. No ano passado, 1,8 milhão de estudantes fez o ACT e 1,7 milhão o SAT.

O novo SAT não vai aplacar todas as críticas aos testes padronizados. Há muito que os críticos assinalaram – e Coleman admitiu – que as notas no ensino secundário são um melhor indicador de sucesso universitário do que as pontuações em testes padronizados. Nos últimos anos, mais faculdades adotaram o caráter opcional dos testes, permitindo que estudantes dispensem os exames e entreguem suas notas, textos escritos e, talvez, um paper corrigido.

Para muitos estudantes, disse Coleman, os testes são misteriosos e "causam uma ansiedade contraproducente". Coleman admitiu que os testes inspiram pouco respeito aos professores do secundário; ele disse que somente 20% deles veem os testes de admissão à universidade como um medida justa do trabalho que seus alunos fizeram.

Ele disse que quer fazer o teste refletir mais de perto o que os alunos fizeram no secundário e, talvez mais importante, frear os intensos treinamentos e orientação sobre como fazer o teste que, com frequência, favorecem os estudantes ricos.

"Já é hora de o College Board dizer com voz mais clara que a cultura e prática dos dispendiosos "cursinhos" cresceu em torno dos exames de admissão provocando a percepção de desigualdade e injustiça em nosso país", disse Coleman ontem. "A falha pode não ser nossa, mas o problema é." Embora a indústria de preparativos para exames tenha dito que o SAT está avançando na direção certa, com mais abertura e mais preparação para exames online gratuitos, as mudanças provavelmente não diminuirão a demanda pelos seus serviços.

Opiniões. As mudanças sugeridas foram bem recebidas por muitos educadores. Philip Ballinger, diretor de admissões para a graduação na Universidade de Washington, disse que admirava a abordagem corajosa de Coleman para melhorar o SAT e apreciava o esforço para domar a indústria de cursinhos. "É um absurdo, e esse é o nome mais bonito que eu posso lhe dar, a maneira como o setor de cursos preparatórios cresceu e a maneira como ficaram os pais movidos pela culpa tentando preparar seus filhos para o exame", disse Ballinger. "Se isto ajudar os preparatórios para exames a se tornarem um lugar de aprendizado e não de jogo, excelente."

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