Taba Benedicto/Estadão
Taba Benedicto/Estadão

Enem 2020: prova é aplicada neste domingo após pressão por adiamento

Cerca de 5,8 milhões de estudantes estão inscritos em todo o Brasil; teste não será realizado no Estado do Amazonas por causa do colapso de seu sistema de saúde

Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2021 | 05h00

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 é aplicado neste domingo, 17, com 5,8 milhões de inscritos. A prova neste ano tem protocolos sanitários para reduzir o risco de infecção pela covid-19. Estudantes, entidades científicas, Defensoria Pública e Ministério Público Federal, porém, questionaram a segurança da realização do teste diante do recente agravamento da pandemia. O Estadão revelou que os planos de aplicação incluem salas com até 80% de ocupação, acima dos 50% prometidos pelo governo federal. A Justiça só autorizou o adiamento do teste no Amazonas, que nesta semana viu o colapso de hospitais por falta de oxigênio. 

A versão impressa ocorrerá nos dias 17 e 24 de janeiro. Estudantes que tenham sido diagnosticados com covid-19 ou apresentem sintomas da doença devem comunicar o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) pelo telefone 0800-616161 e não precisam comparecer ao exame. Eles poderão fazer o exame na reaplicação, nos dias 23 e 24 de fevereiro.

Os participantes fazem neste domingo as provas objetivas de linguagens e ciências humanas, com 45 questões cada, e a prova de redação. Os portões foram abertos às 11h30 - meia hora mais cedo que o habitual, para evitar aglomerações na entrada. As provas começaram a ser aplicadas às 13h30, com previsão de término para às 19h. O uso de máscara é obrigatório.

Na Unip da Avenida Paulista, na região central de São Paulo, os estudantes começaram a chegar antes mesmo das 11h para evitar aglomerações e atrasos no transporte público. Aos poucos, a escadaria do prédio ficou cheia, mas ainda era possível manter a distância por volta das 11h30.

Equipada com uma máscara profissional, Beatriz Emiko, 19 anos, levava consigo também uma face shield (proteção facial). Ela pretende usar o equipamento caso as salas estejam mais cheias do que o prometido. "Também pretendo ficar de máscara em casa depois da prova", diz a estudante, que tem receio pela saúde dos parentes. Antes de meio-dia, Beatriz entrou na sala - ela havia chegado mais cedo para evitar aglomerações.

Lívia Adelino, de 18 anos, também chegou mais cedo e esperava às 11h na mesa de uma praça de alimentação dentro do prédio. "Fiquei preocupada se estaria muito cheio." Às 11h30, ela entrou na sala de prova, onde esperaria, revisando os conteúdos, até as 13h30, horário do início do exame. Ela conta que ficou duas semanas de quarentena rígida para evitar que contaminação pelo coronavírus a impedisse de realizar a prova. Também trouxe máscaras reservas e não vai comer no exame, para não tirar a proteção. "O certo era ter aquelas barreiras de plástico nas carteiras" diz.

Os locais de prova terão de oferecer álcool em gel e os estudantes podem levar o produto. Também é permitido que os participantes levem bebida não alcoólica e lanche. Neste ano haverá um número reduzido de pessoas por sala para garantir o distanciamento social.  No próximo domingo, dia 24, serão aplicadas as provas de ciências da natureza e de matemática. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.