Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Enem 2018: Mulheres são 76% das notas 1000 na Redação

Apenas 55 candidatos conseguiram a pontuação máxima na dissertação; resultado na prova é usado para concorrer a vagas em universidades

Júlia Marques e Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2019 | 15h57

Isabella Rabelo, de 20 anos, ficou surpresa quando viu suas notas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Ela foi uma entre apenas 55 estudantes brasileiros que conseguiram tirar mil no teste da Redação – pontuação máxima da prova. “Quando vi o tema, fiz com tranquilidade, mas não esperava um mil”, conta. 

Nesta terça-feira, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou levantamento com a origem, o sexo e a idade dos 55 candidatos que chegaram à nota máxima na Redação. As mulheres representaram 76% dos que obtiveram mil pontos. Foram 42 meninas ante 13 meninos. Minas Gerais e Rio lideraram entre os Estados com mais pontuações máximas. 

Do total dos candidatos, 33 são da região Sudeste, sendo 14 de Minas Gerais e 14 do Rio de Janeiro. Há ainda quatro de São Paulo, das cidades de Cotia, Franca, Pederneiras e Rio Claro. A região Nordeste tem 14 dos melhores textos, com representantes das cidades de Fortaleza (CE), Santa Quitéria (CE), Imperatriz (MA), Guarariba (PB), Teresina (PI), Natal (RN), Ipanguaçu (RN) e Aracaju (SE)

O tema da Redação na última edição do Enem foi “Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”, assunto que Isabella tirou de letra. “Sempre gostei muito de ler. Leio livros literários, artigos, blogs”, diz a aluna, que não se restringia aos clássicos. “Coloquei na introdução do texto a origem da internet na Segunda Guerra. Usei meu repertório histórico, acho que contou bastante”, diz ela, que tenta uma vaga para Medicina em universidades públicas de Minas Gerais. 

A estudante fazia uma redação por semana e pesquisava assuntos que poderiam cair na prova. "Estadava muitos temas específicos que professoras passavam no cursinho e repertórios mais gerais, dentro de saúde, meio ambiente, que foi o que me deu mais segurança", diz ela. No dia do teste, leu a proposta da Redação primeiro, mas deixou para escrever depois de completar algumas questões das outras provas. Também caprichou na estrutura. "Faço um esquema de rascunho que me guia enquanto estou escrevendo."

Para Thaís Gava, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas, embora a amostra seja pequena, os números divulgados pelo Inep ajudam a pensar nas diferenças de desempenho entre meninas e meninos. “(Os dados) nos desafiam a entender como a trajetória e as influências recebidas contam na nossa aprendizagem.” Avaliações internacionais, como o Pisa, já apontaram melhor desempenho de meninas em áreas como Leitura, enquanto os meninos se destacam nas Exatas. 

Reportagem do Estado publicada no ano passado mostrou que mais de 70% dos estudantes que tiraram as mil maiores notas no Enem são meninos. No entanto, as meninas são maioria entre os candidatos. Os dados mostraram ainda que o total de jovens do sexo masculino se sai melhor nas quatro áreas cobradas pela mais importante avaliação do País. A maior diferença está nos exames de Matemática e Ciências da Natureza.

Sisu

 As inscrições para o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) começam nesta terça-feira, 22, e vão até as 23h59 da sexta-feira, 25. Para a edição do primeiro semestre de 2019, serão ofertadas 235.476 vagas em 129 instituições de ensino superior de todo o País, segundo o Ministério da Educação (MEC).

O processo seletivo, aplicado desde 2010, é o mecanismo utilizado por universidades públicas para oferecer vagas a estudantes que realizaram o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). Além de ter feito a edição de 2018 do exame, os candidatos precisam ter alcançado nota superior a zero na prova de Redação.

Para a edição do primeiro semestre de 2019, serão ofertadas 235.476 vagas em 129 instituições de ensino superior de todo o País. Saiba aqui tudo sobre o cronograma e inscrições do Sisu 2019.

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