Encontro reúne índios surdos para estudo de linguagem de sinais

'Queremos chegar a ponto de elaborar uma linguagem única de sinais entre as tribos', disse educadora

João Naves de Oliveira, Agência Estado

12 de junho de 2008 | 20h22

Índios surdos, que vivem em 20 municípios de Mato Grosso do Sul, serão os atores para uma platéia composta por mestres, professores e técnicos em lingüística, durante dois dias na cidade de Dourados, a 220 quilômetros de Campo Grande. Estarão reunidos na sexta-feira, 13, e no sábado, 14, na "1ª Roda de Conversa: Índio Surdo e sua Língua de Sinais". Segundo a coordenadora de Educação Especial da Prefeitura de Dourados, Elza Corrêa Pedrozo, um dos objetivos do encontro é saber se os sinais dos kaiowás são idênticos aos dos terenas, por exemplo.   Ela explicou, o fato de que os índios desconhecem a Libras (Língua Brasileira de Sinais), motivou estudos sobre o assunto. De acordo com as pesquisas que estão sendo realizadas desde 2006, alguns gestos são iguais. "Notamos por exemplo, que a palavra mãe é entendida com o mesmo gesto, ou seja com as mãos no peito, como se estivessem protegendo os seios. Já anotamos vários gestos iguais entre as etnias, mas não ainda o suficiente para alguma conclusão".   "Queremos chegar a ponto de elaborar uma linguagem única de sinais entre as tribos, mas antes precisamos saber se ela já não existe. Sabíamos que os índios surdos utilizavam a chamada linguagem caseira, aqueles sinais que os pais utilizam em casa para falar com os filhos, mas as pesquisas estão mostrando outra direção, pode ser que eles já têm essa linguagem com gestos que todas aldeias da região sul do Estado, entendem".   No local, entre outras programações, os índios estarão explicando como é o convívio com a surdez, nos relatos que acontecerão dentro do tema "Eu Índio Surdo". Haverá entre eles diálogos através de sinais, que serão interpretados para a para os não índios, como membros da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul e da Universidade Federal de Santa Catarina.   O evento será realizado na Escola Municipal Tengatuí Marangatu, aldeia Jaguapiru, dentro da Reserva Indígena de Dourados.

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