Enade tem ao todo 54 questões anuladas

Onze questões do curso de Comunicação Social já haviam sido anuladas; alunos de 27 cursos passaram pela avaliação

Estadão.Edu

06 Janeiro 2010 | 18h13

  O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) teve ao total 54 questões anuladas nas provas aplicadas a alunos de 27 cursos do ensino superior, entre eles Direito e Administração, no ano passado. O gabarito com os itens e a íntegra das provas estão no sitedo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).   Quem anula as questões é uma comissão nomeada em portaria pelo próprio ministro da Educação, Fernando Haddad. Duas comissões, uma dos cursos de graduação e outra dos cursos técnicos, eliminaram os itens (Veja aqui e também aqui).   Em 6 de dezembro, o Inep já havia anulado 11 perguntas da prova de Comunicação Social. Doze dias depois, outras 43 também foram eliminadas. Cada uma das provas tinha 40 questões, entre itens objetivos e dissertativos. Procurado, o Inep não quis comentar sobre a anulação das questões. Criado em 2004 para avaliar a qualidade do ensino superior no País, substituindo o Provão, o Enade é considerado um marco da gestão petista na educação.   Alunos do primeiro e do último ano da graduação participam do exame. O objetivo é determinar o conhecimento adquirido pelo estudante em sua passagem pela instituição.   A nota do Enade obtida por alunos, ao lado da avaliação da infraestrutura da universidade e a qualificação do corpo docente, compõe o Índice Geral de Cursos (IGC), que avalia a qualidade do ensino superior no Brasil. No ano passado, a Faculdade de Ensino Superior de Floriano (Faesp), no Piauí, obteve uma decisão judicial que impede a divulgação do seu IGC. A decisão abre precedente para que outras universidades façam o mesmo, para não serem ranqueadas entre as instituições de ensino.   Em 2004, em sua primeira edição, o Enade foi feito por 155.654 estudantes de 2.187 cursos.   Um terço desses universitários, 43 mil jovens, eram de São Paulo. A USP e a Unicamp, no entanto, não aderiram à avaliação por questionarem a possibilidade de as instituições de ensino indicarem os alunos que fariam a prova. Desta forma, poderiam selecionar os melhores e obter notas mais altas. Em 2009 foram 1,1 mil estudantes avaliados em 997 municípios. São Paulo teve 126.629 inscritos.   A prova foi marcada por queixas de estudantes escalados para fazer os testes longe de casa e casos de universidades que ofereceram até pen drives de brinde aos estudantes que participassem da prova. Houve críticas a questões com conteúdo político-partidário, como a que trazia o comentário do presidente Luís Inácio Lula da Silva que classificou a crise financeira mundial como uma "marolinha" e pedia para o estudante apontar se os críticos tiveram: a) uma atitude preconceituosa; b) irresponsabilidade; c) livre exercício da crítica; d) manipulação política da mídia e e) prejulgamento. Uma avaliação feita pelo Estado após a aplicação do primeiro exame, em 2004, mostrou que cursos que receberam conceito máximo no Enade (nota 5) tinham alunos que só acertaram 45% da prova. Isso acontece porque a nota é calculada com base na comparação de desempenho de todos os alunos. Assim, se o nível médio de acerto é baixo, os estudantes de cursos mais bem avaliados não precisam ter um índice alto de acertos.   Com base nos resultados do Enade, em 2007 o MEC começou um processo de supervisão dos cursos de Direito, que culminou no cancelamento de 21.160 vagas em 79 instituições de ensino (47% do total de vagas oferecidas por essas faculdades e universidades). No ano passado, 1,8 mil vagas foram extintas após o fechamento de 4 cursos de Direito. Em Medicina, houve cancelamento de 690 vagas entre 2007 e 2008.

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