Enade enterra o Provão e começa sob críticas

O Provão acaba neste domingo. Depois de quase dois anos para planejar seu substituto, o PT enterra um dos principais marcos na educação do governo anterior.A maior e mais polêmica mudança é o fato de o novo exame ser realizado por uma amostra ? selecionada de forma aleatória ? do total de alunos dos 2.187 cursos que serão avaliados. Cerca de 156 mil jovens participarão do primeiro Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade).Em São Paulo, são 43 mil alunos, quase 30% do total.Aqui, no entanto, o Enade já nasce sem o apoio de duas das maiores instituições de ensino superior brasileiras: a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).Votações internas decidiram pela não adesão ao novo exame, que é optativo no caso de universidades estaduais ? diferentemente das federais e privadas.Sem discussão?Esse novo sistema não foi discutido com as universidades estaduais?, diz a pró-reitora de graduação da USP, Sonia Penin. Novas negociações vão determinar se elas participarão ou não da prova no ano que vem. Entre as críticas está justamente o uso da amostra.Segundo o coordenador do Enade, Amir Limana, uma das vantagem do novo sistema é o preço. O exame passa a custar um terço dos R$ 30 milhões gastos anualmente com o Provão. No ano passado, foram avaliadas 26 áreas por esse valor; este ano, serão 13. ?O volume não mudou muito, mas a economia é significativa.?Segundo ele, para garantir uma boa margem de segurança, a amostra é alta nessa primeira edição: 60% do total.Risco de fraude?Essa prova não faz nenhum sentido?, diz o ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza, criador do Provão. Para ele, o fato de a própria faculdade informar seu universo de alunos para o Ministério da Educação (MEC) tirar a amostra pode acarretar fraudes.Segundo Paulo Renato, as faculdades podem ter enviado apenas os nomes de seus melhores alunos. ?Por isso a USP e a Unicamp caíram fora.?Pela regulamentação do Enade, apenas os alunos que tiverem participado da prova ou os que receberem certificado de dispensa ? caso não tenha caído na amostra ? terão o diploma.IngressantesO Enade vai avaliar também ? além dos formandos ? estudantes dos primeiros anos dos cursos. A intenção é saber quanto cada instituição agregou de conhecimento a seu aluno.Essa mudança agrada principalmente às universidades particulares, que alegavam tirar notas mais baixas no Provão porque seus alunos já chegavam do ensino médio menos preparados.O Enade é apenas uma parte do Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Sinaes), que inclui ainda auto-avaliações das instituições e avaliações externas feitas por equipes do MEC.

Agencia Estado,

05 de novembro de 2004 | 20h25

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.