Empresas idealizam estratégia ambiental

Armelin, George, Regi, Kleber e Max, de Santa Bárbara D'Oeste, chamavam a atenção das pessoas, diante de um estande na XII Feira Internacional do Meio Ambiente Industrial (FIMAI), no Expo Center Norte, em São Paulo, em novembro. Os cinco rapazes integram a Banda CO2 Zero, que promove educação ambiental por meio de músicas e forma de tocar: a energia de seus instrumentos é gerada por bicicletas ergométricas adaptadas com geradores elétricos.

Helena Oliveira, O Estado de S. Paulo

17 Dezembro 2010 | 13h42

 

Na Feira, ações como essa encontraram espaço para compartilhar experiências. É o caso da Estre Ambiental, especializada no gerenciamento de aterros sanitários, que colocou em prática projeto de geração de crédito de carbono definido entre países da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1997, em Kyoto, no Japão. O Protocolo de Kyoto estimula países desenvolvidos a reduzirem a emissão de gases que causam o efeito estufa em países em desenvolvimento, adquirindo créditos de carbono.

 

Bruno Caldas, coordenador de Sistemas de Biogás da Estre, lembra que os problemas ocasionados pelo biogás em seus aterros, cujo principal componente é o metano, gás 21 vezes mais prejudicial à atmosfera que o CO2, levou a empresa a entrar no mercado de carbono. Assim, o tratamento de gases do efeito estufa por meio de queima passiva já se tornaria uma boa prática ambiental. "O crédito de carbono foi a forma encontrada para incentivar a redução de emissão de gases, Os países desenvolvidos precisam cumprir metas, por isso esta ideia funciona", explica Caldas.

 

Atuando em projetos MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), a empresa aplica o conceito de que países desenvolvidos que não conseguem cumprir suas metas possam investir em projetos como esses para redução de gases estufa. "Na Europa, por exemplo, é muito caro investir em tecnologia limpa ou alterar processos industriais", conta Bruno. Os países desenvolvidos precisam, então,investir em projetos MDL como os criados pela Estre. "Isso incentiva a implementação de tecnologia limpa em regiões em desenvolvimento."

 

Para a bióloga Patrícia Diniz Cata-Preta, a ideia é válida, pois antes não havia essa preocupação com o meio ambiente. "É preciso reduzir o consumo desnecessário e investir em tecnologia para se utilizar cada vez menos recursos naturais na produção". No entanto, ela comenta que o mercado de carbono é uma forma de capitalizar a questão ambiental. "Nada tem a ver com a verdadeira solução do problema", diz. Bruno Caldas discorda: "É um negócio, mas o objetivo é a redução e está comprovado que ela acontece; o apelo financeiro existe e é válido, já que vivemos num mundo capitalista."

 

HELENA CRISTINA DE OLIVEIRA É ALUNA DA FACULDADE DE CAMPO LIMPO PAULISTA

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