Empresários advertem para falta de cientistas nos EUA

Eles alertaram que falta de trabalhadores especializados e professores ameaça competitividade do País

AP

15 de julho de 2008 | 15h23

Uma tentativa de grupos empresariais norte-americanos de dobrar o número de bacharéis em ciência, matemática e engenharia até 2015 está muito atrás de sua meta, disse um relatório. Em 2005, 15 importantes empresas alertaram que a falta de trabalhadores especializados e professores era uma ameaça para a competitividade dos Estados Unidos, e disseram que o país precisava de 400 mil novos graduados no que se chama de "Stem" (Ciência, tecnologia, engenharia e matemática, na sigla em inglês) até 2015.  Em uma atualização publicada nesta terça-feira, 15, o grupo reportou que o número de diplomas nessas áreas aumentou um pouco no início da década, citando estatísticas dos anos a partir de 2001 que se tornaram disponíveis desde o primeiro relatório. Mas o número de diplomas parou em cerca de 225 mil por ano.  A coalizão, representando grupos como a Câmara de Comércio dos EUA e a Associação Industrial de Defesa Nacional, disse que houve apoio bipartidário substancial em Washington, incluindo a aprovação de uma lei, America Competes Act, que promove a matemática e a ciência.  No entanto, Susan Traiman, diretora de educação e política de força de trabalho para a Business Roundtable, uma organização de executivos de corporações, disse que não houve investimentos suficientes para dar apoio aos programas. Outros países, ela disse, estão fazendo muito mais para direcionar investimentos para o treinamento científico.  "A preocupação dos executivos é que se esperarmos para um evento como o Sputnik, vai ser bastante difícil de conseguir movimentar os progressos que precisaríamos", disse Susan, referindo se ao lançamento do primeiro satélite artificial pelos russos em 1957, que levou os Estados Unidos a um enorme comprometimento com o avanço da ciência.  "Ainda leva um mínimo de 17 anos para produzir um engenheiro se você considerar os 12 anos de escola mais os 4 anos de faculdade", disse.  Alguns críticos manifestaram preocupações com um excesso de graduações em ciência. Eles argumentam que se realmente houvesse uma demanda por cientistas, mais estudantes naturalmente iriam para essas áreas, sem incentivos enormes patrocinados por aqueles que pagam impostos.  Mas William Green, presidente da Accenture, uma gigante da consultoria, chamou essas críticas de "sem sentido", acrescentando que todo o país se beneficia com empresas competitivas.  Green disse que a Accenture vai contratar cerca de 58 mil funcionários no mundo todo esse ano, e vai gastar US$ 780 milhões em treinamento.  O relatório feito pelo grupo Tapping America's Potential, que já representa 16 grupos empresariais, também argumenta que a falha do Congresso em aprovar uma nova regulamentação de imigração vai dificultar a competitividade norte-americana, não permitindo que os EUA conservem os trabalhadores estrangeiros altamente qualificados que estudam nas universidades do país.

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