Empresa atribui vazamento de prova a fim político

Para a FunRio, a violação seria uma tentativa para desestabilizar o ministro da Educação

Fabiana Cimieri, de O Estado de S. Paulo,

01 Outubro 2009 | 19h17

O vazamento do conteúdo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ao Estado teria tido conotação política e seria uma tentativa de desestabilizar o ministro da Educação, Fernando Haddad. Essa é a opinião do secretário executivo da FunRio, Azor José de Lima. A FunRio é uma das três empresas que formam o consórcio Connasel, responsável pela aplicação das provas.   Veja também:  Prova vaza e MEC decide cancelar o Enem  Na web, alunos lamentam e festejam cancelamento do Enem  TV Estadão: Ministro da Educação fala sobre vazamento   "Para mim queriam desestabilizar o ministério porque não faz sentido vazar o conteúdo do Enem. Se fosse um concurso para cargos com salários altos, como muitos que fazemos aqui, poderia haver uma razão comercial, mas vazaram para a imprensa. Queriam melar o concurso. Só pode ter sido por razões políticas", disse ele, em frente à pequena sala onde funciona a empresa.   Lima disse que o vazamento das questões das provas dificilmente deve-se a uma falha do consórcio, que é responsável pela logística e aplicação do Enem. "É praticamente impossível vazar de dentro da gráfica, onde tudo é gravado por câmeras de segurança 24 horas por dia".   "É mais fácil que tenha sido no Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) porque houve contato de mais de um funcionário com os exames", afirmou.   Além disso, prossegue Lima, como o consórcio não tinha a atribuição de elaborar as provas, não teve contato com o seu conteúdo. "Nos concursos onde elaboramos as questões há um responsável que acompanha e fiscaliza o trabalho na gráfica. Imagino que esse trabalho tenha sido acompanhado por alguém do Inep", disse ele.   Segundo Lima, após a impressão, as provas saíram lacradas, foram colocadas em carros-fortes e transportadas em aviões sob forte esquema de segurança. Após a impressão na gráfica, nenhum funcionário teria tido contato com o conteúdo do exame e qualquer violação do lacre seria detectada pela fiscalização.   "Estranhei também a pessoa que procurou o Estado ter dito que as provas eram coloridas, quando aqui no consórcio todos sabíamos que eram brancas". Lima contradisse o diretor de avaliação básica do Inep, Héliton Ribeiro Tavares, que nesta semana atribuiu ao consórcio a responsabilidade pela distribuição dos alunos nos locais de provas. Milhares de estudantes foram colocados em escolas em municípios diferentes de onde residem, problema que ainda não havia sido totalmente solucionado pelo MEC.   "O Inep era o responsável pela organização das inscrições e alocação dos candidatos. O consórcio é responsável pela logística, ou seja, organizamos o transporte, distribuição e aplicação das provas". Segundo ele, já existe uma segunda prova pronta, o que faz com que um novo exame possa ser realizado em breve.

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