Emprego alemão

Na zona sul de São Paulo, maior escola de ensino profissionalizante alemã no exterior abre as portas para trabalho em múltis

Carlos Lordelo, O Estado de S. Paulo

27 Setembro 2010 | 21h53

Bossert, Talita, Daniela e João: ‘No Brasil, ainda é essencial ter diploma de ensino superior’

 

A Grande São Paulo tem a maior concentração de companhias alemãs fora da Alemanha, com mais de 800 empresas. Isso ajuda a explicar por que a maior escola profissionalizante alemã no exterior fica em Interlagos, zona sul de São Paulo, no Colégio Humboldt. Fundado em 1982, o Instituto de Formação Profissional Administrativa (IFPA) já formou mais de 1.500 alunos em seus cursos técnicos, de dois anos de duração, que seguem o sistema dual de ensino – dividido em aulas teóricas e a experiência prática nas filiais de companhias alemãs espalhadas por São Paulo e Santa Catarina.

 

Para entrar no IFPA, é preciso comprovar o domínio do idioma alemão e a conclusão do ensino médio, além de passar no processo seletivo do instituto e das conveniadas. “Só matriculamos o aluno se a companhia der o OK, pois é ela quem paga o curso”, diz o vice-diretor do instituto, Andreas Bossert, de 44 anos, ex-aluno do IFPA. A empresa banca o curso do aprendiz – R$ 821 – e a bolsa-auxílio de, em média, R$ 700.

 

O sistema dual existe há mais de cem anos na Alemanha. Segundo Bossert, cerca de 70% dos jovens de lá fazem cursos profissionalizantes. “Aqui, das 52 semanas de curso, 35 são nas companhias.”

 

O IFPA é fiscalizado pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, para que a formação atenda à demanda do mercado. A própria entidade aplica as provas do meio e fim do curso e faz a intermediação entre alunos e filiais.

 

A indecisão sobre a carreira fez a ex-aluna do Humboldt Talita Vieira, de 21 anos, trocar o vestibular por um período na Alemanha, onde estudou o idioma e trabalhou como au pair. De volta ao Brasil, passou no curso de Secretariado do IFPA e trabalha na Mercedes-Benz. “Embora seja uma empresa alemã, eu me diferencio por dominar o idioma. Quando o telefone toca e vejo que é da matriz, já atendo em alemão. Sinto que eles se surpreendem.” Talita quer fazer Administração. “A vivência na empresa ajudou na decisão.”

 

Aluna de Gestão Empresarial do IFPA, Daniela Chaves, de 19, fez parte do ensino médio na Alemanha e a outra no Colégio Visconde de Porto Seguro, na zona sul de São Paulo. Trabalha na Dr. Oetker, fabricante de produtos como aromas e fermentos. “Achava que minha área fosse Humanas, porque sou comunicativa, mas decidi estudar Engenharia de Produção, talvez até na Alemanha.”

 

João Guilherme Dyck, de 28, fez o caminho inverso: da universidade para o IFPA. Criado numa colônia alemã perto de Curitiba, ele cursou Licenciatura em Música na Universidade Federal do Paraná. Desistiu de ser professor porque “não dava retorno financeiro” e, no ano passado, foi aprovado no curso de Gestão de Informática no IFPA. “A vantagem do instituto é que ele te joga no mercado. Música agora é hobby”, diz João, aprendiz na T-Systems, empresa de tecnologia da informação em Blumenau (SC).

 

João e alunos de outros Estados pagam aluguel simbólico para se hospedar em casas alugadas pelo IFPA perto do Humboldt. Como o curso funciona em sistema de módulos, ele passa 6 semanas em São Paulo e 12 em Santa Catarina. A T-Systems paga as passagens áreas e a hospedagem em Blumenau.

 

ONDE ESTUDAR

 

IFPA

Inscrições até 19/11

Gestão Empresarial, Secretariado e outros cursos

www.humboldt.com.br/ifpa

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