Cedê Silva/AE
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Embaixador palestino prega fim da ocupação a universitários

Em palestra na Escola de Direito da GV, Ibrahim Alzeben disse que 'este Israel deve desaparecer'

Cedê Silva, Especial para o Estadão.edu

30 Setembro 2011 | 15h39

O embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, pregou na manhã desta sexta-feira, a uma platéia de universitários, o fim da ocupação israelense. "Este Israel tem que desaparecer,  e não é o embaixador do Irã nem o presidente Ahmadinejad quem está aqui falando", disse. Segundo ele, "parece ser uma doutrina de todos os governos israelenses nos últimos vinte anos, da centro-esquerda à extrema direita", não avançar nas negociações. Por isso, a declaração do Estado palestino deve ser num fórum multilateral, como a ONU - "tem que ter testemunhas", afirmou Alzeben. Para ele, a declaração não é um fim em si, mas um meio de potencialmente encerrar a ocupação e obter vida digna para os palestinos.

O governo de Mahmoud Abbas diz contar com oito dos nove votos necessários no Conselho de Segurança da ONU para recomendar à Assembleia Geral sua admissão como Estado-membro. O nono voto pode vir da Colômbia (que declarou que vai se abster) ou talvez da Bósnia, o que levaria a delegação americana a exercer seu poder de veto. Diplomatas americanos trabalham nos bastidores para impedir a Palestina de acumular nove votos, evitando assim a necessidade de vetar a proposta.

A decisão de pedir à ONU o status de membro pleno não é apoiada pelo Hamas, que atualmente controla a Faixa de Gaza. O Hamas não reconhece o Estado judeu e seu estatuto diz que Israel "se erguerá até que o Islã o elimine, como fez com todos os seus antecessores". Para Alzeben, "apesar de exercer uma ditadura em Gaza, o Hamas também tem políticos iluminados".

Acadêmicos

O professor de Carla Rodrigues da Costa, de 20 anos, aluna de Ciências e Humanidades na Federal do ABC, permitiu que ela matasse aula para ver a palestra. "O embaixador é mais ponderado do que  eu imaginava", contou. "Pensei que ele fosse um radical. O debate é muito complexo".

Vitor Martins, de 24 anos, formou-se em História pela Unicid e queria ver, ao vivo, uma posição oficial sobre o conflito no Oriente Médio. "Aprendi que a Palestina está cedendo bastante e tem muito mais vontade de chegar à paz do que é mostrado pelos meios de comunicação", contou. Vitor disse compartilhar a esperança do embaixador de que os Estados Unidos não usem o poder de veto. Para o nono voto, entre Colômbia e Bósnia, aposta na Bósnia.

Sérgio Gomes tem 26 anos e estuda Letras (Árabe) na USP. Ele tende a apostar na Colômbia - "apesar de ela e da Bósnia serem muito próximas aos Estados Unidos", considerou. Estudante dos filmes e do hip-hop palestinos, Sérgio pesquisa o cinema palestino como instrumento de construção de identidade. "Numa locadora, você vê vários filmes sobre o Holocausto, mas nenhum sobre o Nakba ('Tragédia', como palestinos chamam a criação do Estado de Israel e a consequente perda de suas terras)", comparou.

Sérgio trouxe os amigos Nelson Fordelone e Breno Zúnica, estudantes de Linguística e História, respectivamente. Nelson, de 24 anos, trabalha com literatura e veio à palestra para aprender um pouco do contexto da região. "E ninguém melhor que a autoridade palestina no Brasil para falar a respeito", disse. Breno, de 22, pensa que todo "cidadão político" precisa tomar posição. "E para se posicionar, é preciso conhecer".

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