Tiago Queiroz/ Estadão
Tiago Queiroz/ Estadão

Em pesquisa, 100% das escolas de elite de SP dizem estar prontas para aula curricular presencial

Levantamento da Abepar indica satisfação com abertura extracurricular e expectativa por possível retomada no dia 3, após aval do prefeito Bruno Covas (PSDB)

Renata Cafardo, O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2020 | 14h00

Todas as escolas de um grupo de instituições particulares de elite de São Paulo pretendem voltar com aulas curriculares presenciais no dia 3, se a Prefeitura autorizar. A decisão sobre uma maior flexibilização será anunciada pelo prefeito Bruno Covas (PSDB) na quinta-feira, 22. Em pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Escolas Particulares (Abepar), obtida com exclusividade pelo Estadão, a reabertura neste mês para atividades extracurriculares foi considerada muito satisfatória — entre os problemas relatados estão manter o distanciamento e o surgimento de sintomas sem confirmação de covid

A presença de estudantes foi, em geral, maior do que a esperada. Em metade delas, 3 em 4 alunos voltaram para as atividades presenciais, depois de 7 meses de escolas fechadas por causa da pandemia. Dezesseis escolas participaram da pesquisa, entre elas Santa Cruz, Bandeirantes, Dante Alighieri, Oswald de Andrade, Vera Cruz, Escola da Vila, Viva, Pentágono e Móbile.

A diretora pedagógica do Santa Cruz, Débora Vaz, acredita que esses primeiros dias foram importantes para uma eventual volta às aulas no dia 3. “Está sendo muito pedagógica a experiência, porque não é só a experiência da aula, é a da entrada, da cantina, do banheiro, do encontro, da despedida, de como agir”, afirma. “Uma coisa é planejar, outra é viver.”

Segundo ela, o Santa Cruz registrou um caso de um familiar infectado por covid nesses primeiros dias e, consequentemente, o aluno também teve um exame positivo. A sala toda está em quarentena e até agora não há mais ninguém contaminado. Na pesquisa, nenhuma escola citou contaminação que tenha se espalhado. Desde a liberação da Prefeitura, no dia 7, foram sete dias de abertura até sexta-feira.

A pesquisa mostra que algumas escolas enfrentaram resistência de professores para a volta. “Houve receios, mas envolvemos nossos professores em todas as conversas dos protocolos e isso foi quebrando as resistências”, diz a diretora pedagógica da Escola da Vila, Fernanda Flores. No fim, apenas os docentes do grupo de risco não voltaram. A abertura na escola teve rodas de conversa, ateliês e atividades corporais. No dia 3, se forem autorizadas pela Prefeitura, algumas aulas serão transmitidas da escola e haverá um misto de atividades para contemplar quem quiser permanecer em casa. “A participação e experiência positiva de quem está vindo podem interferir na escolha de quem estava indeciso. Acho que o número de alunos vai aumentar, as famílias vão ganhando segurança.”

Na Escola Móbile, de 176 alunos do 9º ano do ensino fundamental, por exemplo, 150 voltaram para escola. Lara Ramos Kerbauy, de 15 anos, é uma delas. A estudante conta que ela e a família estavam inseguras, mas se sentiu bem ao ver os protocolos de medição de temperatura e distanciamento. “Foi muito melhor e mais legal do que eu esperava”, diz Lara. Só um dos colegas não estava presente na turma. “Estou muito feliz em voltar, não aguentava mais ficar em casa sem ver meus amigos. Conversamos sobre a pandemia, sobre como é estranho voltar.”

Em outras escolas, no entanto, houve grupos reduzidos de crianças, com 3 ou 4 alunos por sala presencialmente. Segundo a determinação da Prefeitura, as instituições podem receber 20% dos alunos por dia. Algumas optaram por escolher um dia para cada série, dessa forma a escola cumpre a porcentagem indicada, mas todos os colegas da turma podem se encontrar. Outras, dividiram todas as salas em grupos de 20%, o que reduz a quantidade dos que vão à escola em cada turma.

Na Escola Viva, a volta foi escalonada e os mais velhos, do fundamental 2 e médio, devem voltar somente na quarta-feira. “Imaginamos que o uso dos EPIs pudessem causar medo ou estranheza nas crianças, principalmente nas menores, mas, ao contrário, as crianças olharam para os adultos da escola com naturalidade”, conta a diretora pedagógica Camilla Schiavo.

Entre os problemas verificados pelas escolas, segundo a pesquisa, estavam o distanciamento entre alunos e, em menor número, questões com o uso da máscara, professores e funcionários não cumprindo protocolo e pessoas com sintomas incertos e sem resultado para covid. 

Mesmo assim, para a diretora pedagógica da Móbile, Cleuza Vilas Boas Bourgogne, “a volta teve um efeito muito positivo nos alunos e nos educadores”. Ela diz que, mesmo quem chegou mais ressabiado, foi ficando tranquilo. “A pandemia não acabou, veio para ficar, o importante é não perdermos a perseverança e a alegria de conviver.”

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