Johann Moritz Rugendas/Reprodução
Johann Moritz Rugendas/Reprodução

Em Pedagogia e História, 60% dos novos alunos estudam online

Em parte das licenciaturas para professores da educação básica, os ingressos pela modalidade a distância já superam o presencial

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

25 Março 2016 | 03h00

Em parte das licenciaturas para preparar professores da educação básica, como Pedagogia e História, os ingressos pela modalidade a distância já superam o presencial. As duas áreas reúnem 59,6% dos calouros em EaD. No ensino online, entretanto, se repete o problema já visto entre os cursos tradicionais. A minoria entra nas áreas onde há maior déficit de docentes: Química e Física, por exemplo, representam apenas 1,5% dos ingressantes a distância.

Para João Cardoso Palma Filho, professor de Políticas Educacionais da Universidade Estadual Paulista (Unesp), é necessário que o governo estimule uma expansão planejada. “Há risco de avançarmos no escuro. Não adianta colocar mais professores no mercado em setores em que não há necessidade”, diz. Na área de Ciências da Natureza, segundo ele, é ainda mais complicado ofertar um curso bem feito. “É preciso garantir mais aulas de laboratório, o que dificulta.”

O cenário de crise econômica pode dar ainda mais força à EaD nos próximos anos. Na cidade de São Paulo, por exemplo, é possível encontrar cursos de Pedagogia a distância por menos de R$ 250. “Os preços dos cursos a distância são cerca de 40% menores do que os presenciais”, afirma Carlos Fernando de Araújo, pró-reitor de Educação a Distância do Grupo Cruzeiro do Sul. 

O governo federal tem ações em grande escala para incentivar a EaD, como a Universidade Aberta do Brasil, criada em 2006, que reúne vagas públicas na modalidade, com ênfase na formação docentes. O crescimento do ensino online, porém, foi alavancado pelo setor privado, que concentra 51% das matrículas na área de educação. 

Rodrigo Capelato, diretor do Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior de São Paulo (Semesp), diz não acreditar em migração do ensino presencial para o ensino a distância. “É atraído outro público, mais velho, que já trabalha, tem pouco tempo e não pode pagar caro. O aluno que termina o ensino médio ainda quer fazer o curso tradicional”, afirma. “E nas licenciaturas presenciais, o ingresso tem sido fraco porque as carreiras têm remunerações muito baixas. O jovem acaba não se interessando.”

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