Em novo colégio, criança autista tornou-se melhor aluno

Estudante com Síndrome de Asperger foi o primeiro da turma em História, apór ter matrícula recusada em doze escolas no DF

Luísa Martins / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

16 Janeiro 2016 | 17h25

Depois de ser expulso, a matrícula de Amir foi recusada em outras dez escolas privadas de Brasília. A família acabou optando por uma instituição pública, onde o menino foi bem recebido e tratado com atenção especial durante o segundo semestre de 2014. Mesmo assim, teve dificuldades de permanecer o tempo todo em sala de aula – suportava, no máximo, até o horário do recreio.

Os pais definem o período como “um ano traumático”: o irmão, de apenas 3 anos, e a mãe de Amir também foram diagnosticados com depressão – o que acabou motivando a volta para o Rio Grande do Sul, onde vive o restante dos parentes. “Não tem questão profissional que compense ficar longe deles em um momento delicado”, diz Marcos Bliacheris.

Ele, aliás, tornou-se um militante. “As escolas dizem não ter preparo para lidar com pessoas com deficiência, mas não se interessam em reverter essa situação”, critica. De acordo com estudo recente publicado pela Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE), entre 2008 e 2013 o porcentual de professores brasileiros que afirmam ter alta necessidade de formação profissional para atender necessidades especiais praticamente não mudou, ficando acima de 60%.

Em 2015, Amir voltou à escola que frequentava antes da mudança para Brasília – um colégio tradicional, privado, de Porto Alegre. Em dezembro, suas notas lhe garantiram o título de melhor aluno na disciplina de História.

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