Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

Em greve, professores estaduais pedem ajuda a Haddad em negociações

Educadores querem que Alckmin reconheça paralisação como representativa da categoria; prefeito ficou desconfortável

Ana Fernandes e Juliana Diógenes , O Estado de S. Paulo

20 Março 2015 | 13h24

Atualizada às 18h23

SÃO PAULO - Ao chegar para uma visita a uma unidade de saúde na zona norte da capital, o prefeito Fernando Haddad (PT) ouviu gritos de professores estaduais em greve que protestavam no local. Eles gritavam "Greve, greve" a cerca de 50 metros de onde passava o prefeito.

Haddad chegou a andar na direção deles, sinalizar uma pergunta se gostariam de conversar e, ao receber também por gestos a resposta negativa, voltou para seu trajeto.

Pouco depois de concluir a visita, no entanto, o prefeito foi circundado por dezenas de professores. Muitos disseram que trabalham para a Prefeitura, além da rede estadual, e pediram uma intervenção do prefeito.

Desconfortável, Haddad mostrou solidariedade tanto com a categoria como com o governo estadual e, ao final, comprometeu-se a entrar em contato com o secretário estadual de Educação, Herman Jacobus Cornelis Voorwald. 

"Chegando ao gabinete, vou dizer que encontrei vocês aqui, que ouvi a manifestação de vocês e vou ligar para ele e dizer do nosso encontro, quem sabe isso colabore", afirmou o prefeito.

Haddad disse que não poderia fazer um pronunciamento e tentou explicar que seria uma interferência de esferas de gestão, mas afirmou ser solidário aos movimento dos professores. "Cada rede (de ensino) tem seus problemas para resolver. Na rede municipal, a gente tem problemas também. Eu desejo que se estabeleça uma mesa de negociação, desejo que o secretário de Estado possa recebê-los. Agora, eu não sei os desafios colocados para ele, o orçamento dele", explicou o prefeito.

"Me solidarizo com vocês, desejo que vocês tenham uma abertura para o diálogo, desejo que vocês também tenham espírito aberto para ouvir o secretário. E, para nós, se uma escola estadual no município está fechada é um problema do prefeito também, porque aquelas crianças e jovens vão acabar prejudicados", completou.

Os professores reivindicam que o governo estadual reconheça a greve como representativa da categoria. "Ilegalmente, ele (governo) está passando por cima da categoria que aprovou em assembleia de forma majoritária uma greve que ele não reconhece. A gente quer hoje que o governo abra as negociações e que ele reconheça nossa greve", disse a professora Marcela de Campos Costa.

"Somos 86 mil professores em greve e ele ainda não está reconhecendo a greve. Somos 210 mil em todo o Estado", disse Lucas Marfim.

Já a professora de Português Paula Carvalho declarou que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) deu aumento de "mentira". "O governador disse que deu aumento de 45%. É mentira. Ganho R$ 140 de vale-alimentação. Quero ver se algum desses políticos sobrevive com esse salário", reclamou.

"Não tem material, estrutura, livro didático. Ele quer que a gente faça milagre. O Alckmin cortou 30% das verbas. As escolas estão sem papel higiênico, sem material e sem estrutura porque ele cortou dinheiro da educação", disse a professora. "Não tem dinheiro na escola estadual pra pintar escola, pra limpeza, pra sala de computador."

Os professores da rede estadual estão em greve desde a sexta-feira, 13, quando ocorreram as manifestações da centrais sindicais, antes do domingo, 15, quando aconteceram os protestos contra o governo Dilma Rousseff (PT).

Na ocasião, Alckmin lamentou por meio de nota a "decretação de uma greve decidida por um pequeno número de pessoas, nem todas professores, em meio a uma manifestação de cunho partidário e sem que tenha havido qualquer iniciativa de diálogo".

Outro lado. Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo afirmou que, "apesar de reconhecer a legitimidade do direito de paralisação, atua pela garantia do direito inalienável de acesso ao ensino dos 4 milhões de alunos da rede paulista". 

A pasta ressaltou que "os pais devem continuar a levar seus filhos às escolas e que as faltas pontuais estão sendo substituídas por 35 mil professores substitutos, que garantem o funcionamento das escolas". 

A Secretaria diz ainda que 96% dos professores compareceram ao trabalho.

Em relação às críticas sobre as condições de trabalho, a pasta garantiu "que todas as escolas terão à disposição neste ano R$ 60 milhões para a compra de materiais como papel higiênico e outros insumos".

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