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Em férias no meio da pandemia, trazer mudanças no cotidiano das crianças pode ajudar

Crise da covid-19 tirou muita coisa dos mais novos e, nas férias delas, resolveu trabalhar com mais afinco ainda

Rosely Sayão*, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2020 | 22h00

Este será um fim de ano, com suas costumeiras festividades, bem diferente para cada um de nós. Para as crianças e jovens, então, nem se fala! Em primeiro lugar, a criançada nem pode comemorar a chegada das férias, sinônimo para eles de ficar mais tempo em casa com os pais, de viajar, de fazer programas com a família toda, de brincar com amigos e colegas e de ficar livre das aulas, dos estudos obrigatórios e de todos os compromissos e horários resultantes da vida escolar.

Férias estranhas, essas: quase não frequentaram a escola o ano todo e muitos tiveram aulas e estudos dirigidos remotamente, o que foi, vamos reconhecer, um auê, principalmente para as crianças menores. O que era, até então um brinquedo - os aparelhos tecnológicos - passou a ter de ser encarado como instrumento de estudo. “Perdeu a graça ter celular”, me disse uma garota prestes a completar 10 anos.

A pandemia tirou muita coisa das crianças e, nas férias delas, resolveu trabalhar com mais afinco ainda. Precisamos ver o que é passível de reparação para elas nessa história, pelo bem da saúde mental da família toda, certo?

É possível tentar mudar alguma coisa no cotidiano delas? Essa é uma boa pergunta a ser feita pelos pais. Afinal, férias tinham o sabor de mudança de organização dos dias, não é? Então, uma boa pode ser introduzir, a cada dia, uma pequena mudança. Sim, eu sei que os pais estão exaustos e esgotados, mas criança entretida e alegre dá menos trabalho, lembre-se disso.

Outra dica é organizar atividades que eles nunca fizeram antes, ou que fizeram poucas vezes. Criança adora novidade e surpresas. Os pais precisam saber antecipadamente que nem toda surpresa é bem recebida por eles, mas esse fato já é, por si só, uma boa lição para pais e filhos. Para os pais, é uma deixa para que conheçam melhor os filhos. Para estes, que aprendam a se entregar ao que a vida pode oferecer no momento. Uma boa lição para se aprender na infância, já que muitos adultos não conseguem fazer isso.

Exemplos de atividades diferentes para as crianças não faltam na internet. Há canais no YouTube com tutoriais de origami, como por exemplo emhttps://https://www.youtube.com/user/tadashimori; há levantamentos de brincadeiras desconhecidas pelas crianças de hoje, há tutorias para a criação de vários objetos utilizando material caseiro, instruções para encadernar um livro artesanalmente, fazer caixas sensoriais etc. Em meia hora de internet você consegue encontrar atividades para muitos dias de distração para a garotada.

E por falar em livro, que tal uma conversa em família? Não, nada de “Filho, você precisa melhorar nisso” ou “Mãe, você sempre esquece o que eu peço.”. Esse tipo de conversa, para a criança ou para o adolescente, não passa de um blá-blá-blá sem fim, e não é esse o objetivo. Tem de ser uma conversa gostosa, estimulante, curiosa, bem-humorada. Para ajudar, pode ser usado o livro-caixinha que tem o título Puxa conversa - Família ( Matrix Editora). São 100 cartas com perguntas que oferecem um começo de uma boa prosa em família. Alguns exemplos: “O que você acha melhor: amar ou ser amado?”; “Se sua família fosse uma música, qual seria?”. E que tal um campeonato de jogo eletrônico entre pais e filhos? Vale também para o adolescente que curte essa atividade.

Todas essas sugestões não são apenas distrações e entretenimento para os filhos: são também oportunidade de eles estreitarem os vínculos afetivos com os pais ao perceberem sua disponibilidade para as crianças - e também permitem que eles trabalhem as emoções que estão à flor da pele. Isso sem falar do que é estimulado: persistência, disciplina e atenção são alguns exemplos.

E as festas? As crianças adoram reuniões familiares de Natal e festividades de fim de ano. E presentes, é claro. E agora? As famílias cuidadosas que podem se preservar de sair, como vão fazer com os presentes? Há as compras online, que ajudam bastante. Mas, num ano de exceção, que tal presentes diferentes?

Algumas famílias já encontraram boas saídas. Uma disse aos filhos pequenos que o Papai Noel também está de quarentena e virá quando a pandemia estiver controlada, mas que mandou um recado aos pais para eles mesmo fazerem os presentes para os filhos receberem um mimo no Natal. Essa sugestão vale também para crianças maiores e adolescentes para que eles elaborem e confeccionem, eles próprios, os presentes que darão à família. Faz muito bem à autoimagem deles presentear também e não apenas receber, sabia?

Muitos pais aprenderam bastante sobre seu papel com os filhos nesse longo período em que eles estiveram em casa. Pois agora é hora de aprender um pouco mais, construindo outras possibilidades até que a tradição familiar de Natal e réveillon possa ser retomada. Quem sabe não construam novas tradições? Que seja o melhor Natal possível é o meu desejo a todos que me acompanharam neste ano tão estranho que estamos vivendo. Saúde e os devidos cuidados, por favor!

*É PSICÓLOGA, CONSULTORA EDUCACIONAL E AUTORA DO LIVRO EDUCAÇÃO SEM BLÁ-BLÁ-BLÁ

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