Em busca de uma das vagas não ocupadas da USP

A procura por uma melhor qualidade de ensino e a redução nas despesas foram alguns dos motivos que levaram 4.725 candidatos a se increverem no exame de transferência para as 986 vagas remanescentes da Universidade de São Paulo (USP). Apenas graduandos poderiam fazer a prova. A primeira etapa do exame aconteceu ontem, com provas de Língua Portuguesa e Inglês para todos os candidatos e com questões de Cultura Contemporânea para candidatos da área de Humanas; Genética e Bioquímica para a área de Biológicas, e Física e Química para a área de Exatas, num total de 80 questões. As provas aconteceram em faculdades ligadas à USP nas cidades de São Paulo, Bauru, Piracicaba, Piraçununga, São Carlos e Ribeirão Preto. Só na capital, foram 3.610 candidatos. Para os amigos Edilson Silva da Paz, de 26 anos, e Franscisco Simplício Alves Filho, de 24, que cursam o segundo ano de Geografia na Universidade de Santo Amaro (Unisa), a possibilidade de economizarem R$ 381 na mensalidade e a flexibilidade da grade curricular animam seus planos futuros. "Na Unisa não há a disciplina de Climatologia. Na USP posso me especializar nessa área, já que a grade curricular permite que eu faça matérias em outros departamentos, como no de Geociências", afirma Edilson. "Além da especialização na área de Geografia Física, também pretendo fazer matérias de filosofia", acrescenta Francisco. O desejo de voltar a morar com a família na capital motiva os namorados Alexander Luiz Gouvea, de 26 anos, e Fabiana Pinto, de 24, que atualmente moram no interior do Estado. Alexander cursa o primeiro ano de Geografia na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Presidente Prudente, e Fabiana está no campus da Unesp em Marília, cursando o primeiro ano de Pedagogia. "Em Marília, gasto R$ 300 por mês. Como ganho R$ 150 no estágio, financeiramente não compensa. E também quero voltar a morar com meus pais", diz Fabiana. "O mercado de trabalho lá é pequeno e não tem escola experimental para fazer pesquisa. As palestras e conferências também são raras", lamenta. Embora tenha passado para a segunda fase do vestibular da Fuvest em 2001, Fabiana não estava segura para fazer o exame. "Tive pouco tempo para estudar." Já seu namorado estava tranqüilo. "Vou confiar na bagagem que adquiri no cursinho", diz Alexander. Estudante angolano quer fugir da guerraUm caso singular é o do angolano Moisés Ezequiel Chissonde, de 26 anos, que prestou a prova para a vaga de Medicina. Embora esteja há 10 anos na Faculdade de Medicina de Angola, Moisés só conseguiu completar seus estudos até o terceiro ano. A demora foi causada pelos conflitos que seu país enfrenta. "Com a guerra, somos obrigados a parar de estudar", conta. "Cheguei ao Brasil no ano passado e estou me preparando para a prova há dois meses. Aqui, tenho maior oportunidade de finalizar meus estudos", relata. Moisés pretende se especializar na área de Psicoterapia ou Cirurgia Geral. O fato de Medicina ser o curso mais procurado - com 423 candidatos concorrendo a apenas 7 vagas - não o intimida. "Estou bem tranqüilo", afirma. Os portões foram fechados às 12h30. Mesmo com um atraso de apenas cinco minutos, o fiscal não liberou a entrada do estudante Rafael Carvalho Almada, de 19 anos, que cursa o primeiro ano de Ciências Biológicas na Unesp de Assis. "O ônibus fez o trajeto Tatuapé-Cidade Universitária em mais de 1h30", disse, bastante decepcionado. "Gastei tempo e R$ 50 de inscrição. Dependendo do motivo, a Fuvest deveria liberar a entrada", completou, inconformado.

Agencia Estado,

29 de julho de 2002 | 18h20

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