DIVULGAÇÃO
DIVULGAÇÃO

Em ato por merenda, estudantes ocupam plenário da Alesp

Alunos gritaram palavras de ordem e pediram uma CPI para investigar desvios de verbas destinadas à alimentação nas escolas

Fabio Leite e Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

03 Maio 2016 | 17h47

SÃO PAULO - O plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) foi invadido nesta terça-feira, 3, por cerca de 70 estudantes dos ensinos médio e técnico da rede estadual, que cobram a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar denúncias de desvios de recursos da merenda. O grupo invadiu o local às 17h15, durante uma sessão esvaziada, e subiu nas mesas dos deputados aos gritos de “ocupar e resistir”. Houve uma confusão envolvendo manifestantes, parlamentares e policiais militares. Até as 23h desta terça, não havia acordo para que os jovens deixassem o local, que ficou cercado por PMs.

Os alunos estavam na Alesp para participar de uma comissão em outro auditório. A reunião discutiria os problemas da merenda, que levaram estudantes de Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) a ocupar o Centro Paula Souza na quinta-feira e outras quatro unidades até esta terça. Durante o debate, o grupo decidiu invadir o plenário principal para cobrar apuração do caso pelos deputados.

Segundo o tenente-coronel Reinaldo Priell Neto, chefe da Assessoria Militar do Legislativo, o acesso do grupo ao plenário teria sido facilitado por deputados do PT, que coletaram 25 das 32 assinaturas necessárias para protocolar o pedido de CPI da Merenda. Um vídeo gravado no momento da invasão mostra o deputado João Paulo Rillo (PT) empurrando um PM que tentava conter a ação. “Os policiais haviam empurrado uma estudante e estavam chutando os manifestantes por baixo. O que fiz foi uma reação”, justificou o petista.

Jovens estenderam faixas com os dizeres “Alesp Ocupada” e “CPI da Merenda Já”, subiram em mesas e cadeiras usadas pelos deputados e montaram uma barraca na frente do espaço reservado à Mesa Diretora da Casa. Eles disseram que só saem do local quando a CPI for instalada. “Nossa única reivindicação é que se instaure uma comissão para apurar os desvios de merenda, que se investigue a falta de comida nas escolas estaduais e nas técnicas”, disse o estudante Daniel Cruz, diretor da União Estadual dos Estudantes (UEE).

Desde o dia 20, alunos de escolas técnicas se mobilizam para cobrar a distribuição de merenda para todas as Etecs. Segundo o Centro Paula Souza, 23 unidades não recebiam nenhuma alimentação e passariam a ter merenda seca (bolacha e suco) nesta semana. Os alunos criticaram a medida. 

O principal alvo do protesto nesta terça foi o presidente da Alesp, Fernando Capez (PSDB), que é investigado pela Operação Alba Branca, comandada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público Estadual (MPE), por suspeita de receber propina no esquema de desvio de dinheiro de contratos com cooperativas que fornecem merenda para o Estado. Ele já foi citado em delação feita por acusados e teve os sigilos bancário e fiscal quebrados. 

Capez não estava no plenário no momento da ocupação. Mais tarde, recebeu uma comissão de estudantes e garantiu acesso ao banheiro e água durante a ocupação. Ele afirma que é o “principal interessado nessa investigação” e lamenta o fato de a apuração ser lenta. “Fui eu que pedi essa investigação”, afirmou. O deputado alegou também que já assinou o pedido de abertura da CPI. 

Saída dos alunos. Legalmente, é Capez quem deve pedir reintegração de posse à Justiça. Ele afirmou que terá uma conversa com os alunos, mas fará o pedido. “Tropa de Choque, quando entra, sempre tem consequências. Se fizermos profissionalmente, faremos. A PM já fez reintegrações mais complicadas e não houve problemas.”

O deputado Coronel Camilo (PSD) afirmou que os estudantes danificaram materiais da Casa. Funcionários relataram que mesas e computadores foram quebrados. Os jovens negaram a depredação. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.