<!-- eestatísticas -->Médicos vêm futuro ruim para a profissão

A cirurgiã-geral Zenilde Fernandes Mendes (foto), de 53 anos, voltou a dar plantões, prática comum no início da carreira médica, para manter a renda. Ela trabalha 96 horas semanais em dois hospitais públicos - um na Baixada Fluminense - e no consultório particular. Mesmo assim, o que ganha por mês é inferior ao que recebia dez anos atrás."Dou plantões nas noites de sábado, domingo, e terça-feira. Estou estressada, durmo pouco. É um desgaste muito grande."A história de Zenilde retrata a situação do médico no Brasil. Uma pesquisa do Conselho Federal de Medicina (CFM) com 14.405 profissionais revela que 55,4% dos médicos exercem mais de três atividades e 62,2% tiveram de aumentar a carga horária. O excesso de trabalho não se refletiu nos ganhos.Até US$ 2 milNa última pesquisa do gênero, 44,5% recebiam até US$ 2 mil e 18,6% mais de US$ 4 mil. Hoje, 51,5% e 8,5% dos profissionais estão nessas faixas salariais, respectiviamente. Quase metade (45,7%) dos médicos tem uma visão pessimista do futuro da profissão."90% dos médicos consideram a profissão desgastante. Isso sinaliza que todo esse estresse se reflete sobre o trabalho dele", afirma o coordenador da pesquisa e conselheiro do CFM Mauro Brandão.Mais no interiorA Pesquisa sobre Qualificação, Trabalho e Qualidade de Vida do Médico, lançada no Rio, é considerada a maior sobre o perfil do médico. Os profissionais foram ouvidos em 2002, quando havia 234.554 médicos no País.De acordo com a pesquisa, 70% dos médicos são homens, 65% têm menos de 45 anos, 98,3% estão ativos, 56,9% ganham entre US$ 1.001 e US$ 3.000. O estudo mostrou ainda que cresceu o número de médicos no interior do País. Hoje, 62,1% desses profissionais estão concentrados nas capitais. Em 1996, eram 65,9%.Patrão ruimO levantamento revelou ainda que a categoria está insatisfeita com seu principal empregador: o serviço público. Eles acreditam que houve piora das condições de trabalho (52,6%), dos salários (52,4%) e da qualidade dos serviços (47,4%) em decorrência do que consideram má implementação do Sistema Único de Saúde."A idéia do SUS, de dar assistência aos mais desvalidos, sempre foi defendida pelos médicos. Mas hoje ele é obrigado a trabalhar num local que remunera mal, onde falta material. É contra essa situação que nos revoltamos. No Brasil temos a verba formal e a real. O orçamento da saúde é dos maiores, mas quando chega em outubro está todo contingenciado", afirmou o presidente do CFM, Edson de Oliveira Andrade.

Agencia Estado,

26 de março de 2004 | 11h28

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