<!-- eestatísticas -->Há mais mulheres nas escolas brasileiras, diz relatório da Unesco

Há mais meninos que meninas nas salas de aula brasileiras de 1ª a 4ª série. Mas, daí em diante, a situação se inverte e as mulheres passam a ser maioria até na universidade. Disparidades de gênero na vida escolar são o foco do relatório Gênero e Educação para Todos - O Salto Rumo à Igualdade, que será lançado mundialmente nesta quinta-feira pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).A organização tem como meta a correção do problema nas turmas de educação básica até 2005 e, nos demais níveis de ensino, até 2015.Entre os motivos para a redução do número de meninos na escola estão a repetência e o abandono dos estudos para trabalhar. A situação é semelhante na maioria dos países da América Latina, pelo menos a partir do ensino médio.Repetência"Estas disparidades estão ligadas à baixa performance de meninos, que têm maiores taxas de repetência e maior probabilidade de abandonar a escola geralmente para se sustentar", diz o relatório.Em países como Índia e Paquistão e em boa parte da África, a luta é inversa, no sentido de permitir que um contingente maior de mulheres tenha acesso à escola. Em termos mundiais, quase dois terços dos 850 milhões de adultos analfabetos são mulheres, segundo a Unesco.EscolaridadeNo ano passado, 52% das matrículas de 1ª a 4ª série no Brasil foram feitas por alunos do sexo masculino - uma diferença de 876 mil meninos a mais do que as meninas. Da 5ª à 8ª série, no entanto, o total de alunas já superava o de alunos em 143 mil; no ensino médio, essa diferença pró-meninas alcançava 725 mil; e, nos cursos de graduação, 452 mil.De acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a escolaridade das brasileiras é superior à dos homens. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2001 mostrou que 20% das mulheres tinham 11 ou mais anos de estudo. Entre os homens, essa proporção era menor, de apenas 17%.Sem igualdade"A paridade de gênero nem sempre se traduz em maior igualdade. Na América Latina e no Caribe, como em todos os lugares, as meninas ainda não estão aptas a transformar a superioridade acadêmica em relação aos meninos em maior igualdade nas outras esferas da vida", diz o texto."O baixo desempenho de meninos ainda não fez com que eles ficassem para trás economicamente e politicamente, e as mulheres podem precisar de maiores qualificações para obter sucesso na competição por empregos, salários iguais e posições gerenciais."MetasAs metas para correção das disparidades de gênero foram fixadas no Fórum Mundial de Educação, realizado no ano 2000, no Senegal. Entre as recomendações da Unesco, nesse sentido, estão o combate à pobreza e ao trabalho infantil."A desigualdade na educação é causada por forças sociais mais profundas, que vão muito além dos limites dos sistemas educacionais, das instituições e dos processos", escreveu o diretor-geral da Unesco, Koïchiro Matsuura, no prefácio ao relatório.

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