<!-- eeducação -->Residência médica terá prova de admissão e tutor

Os programas de residência do País terão de realizar provas práticas de admissão e contratar um médico apenas para supervisionar o trabalho dos residentes nos hospitais. O Ministério da Educação já aprovou novas regras que atingem os mais de 3 mil programas em 453 instituições no Brasil."É um resgate da seriedade na residência médica, assegurando o compromisso com o ensino", disse o secretário-executivo de residência médica da Secretaria de Ensino Superior do MEC, Antonio Carlos Lopes.Atualmente há 16.477 residentes e 59.755 estudantes de Medicina no Brasil. Os programas de residência duram de dois a quatro anos e são definidos como uma pós-graduação lato sensu.TutoresOs médicos que supervisionarão os residentes serão chamados de preceptores-tutores, receberão bolsa de cerca de R$ 1.600 e terão, no máximo, cinco anos de experiência. Hoje, há médicos designados para auxiliar os residentes mas, na prática, não há orientação em tempo integral."Principalmente nos plantões noturnos ou nas enfermarias, muitos residentes ficam sozinhos", diz a médica Cecília Uchôa, que faz o segundo ano de residência no Hospital Infantil Darcy Vargas. Ela conta que, como o médico tem também outras funções, os residentes acabam dependendo da boa vontade desse supervisor quando precisam de ajuda.Para ela, que muitas vezes trabalha 36 horas seguidas, o MEC deveria diminuir a carga horária dos residentes. "Além de podermos cometer mais erros por estarmos cansados, não temos tempo para estudar", diz Cecília.Lopes afirma que posteriormente esses problemas também serão tratados. O MEC estuda exigir uma dedicação exclusiva do residente a determinada instituição, para impedir jornadas duplas.Mão-de-obra barataAs resoluções do governo foram aprovadas pela Comissão Nacional de Residência Médica e exigem ainda avaliações mais criteriosas dos programas e manutenção da vaga quando o estudante for chamado a fazer o serviço militar. As instituições terão prazos para se adaptar às novas regras."Queremos impedir que o residente seja uma mão-de-obra barata", diz Lopes, acrescentando que eles serão ouvidos nas avaliações.Hoje há exames teóricos, entrevistas e análises de currículos na escolha dos residentes. Na USP, são em média dez candidatos por vaga. Segundo Lopes, a prova vai avaliar práticas de clínica médica, pediatria e ginecologia, entre outras.Pouco debateEspecialistas na área do ensino médico aprovam as mudanças, mas acreditam que elas deveriam ter sido mais discutidas com as instituições envolvidas. O Estado de São Paulo, por exemplo, banca cerca de 4.500 bolsas para residentes, incluídos os da Universidade de São Paulo (USP)."Quem vai pagar pelos tutores? Isso não foi combinado com o Estado", diz a responsável pela comissão de residência da USP e do Conselho Regional de Medicina, Maria do Patrocínio Tenório Nunes.Para ela, a prova prática deveria ser realizada primeiramente em algumas instituições, como um plano piloto, para atestar a eficiência do processo. "Ela é um sinal para mudar a graduação e para a sociedade, mas precisa ser bem discutida."

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