<!-- eeducação -->Futuro da universidade brasileira ainda não está claro, mas há um consenso: é preciso mudar

Qual é o papel das universidades no século 21? Acadêmicos, políticos e intelectuais que participam do seminário "Universidade: porque e como reformar?" ainda divergem sobre uma resposta a esta pergunta. Mas, pelo menos, já chegaram a um consenso: é preciso mudar.O representante da Unesco no Brasil, Jorge Werthein, sintetiza o pensamento da maioria dos participantes na abertura do encontro: "Se a universidade não se reformar não sobreviverá".O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Gustavo Petta, lembra que a última reforma nas universidades ocorreu nos anos 60, articulada por militares e uma agência norte-americana de educação. Petta entende que as universidades devem usar a produção científica para inserir o País na retomada do desenvolvimento econômico e reduzir as desigualdades sociais no País.Aproximar-se da sociedadePara tanto, precisará romper o distanciamento com a sociedade. "Ela deve reconstruir-se de forma a que se identifique de corpo e alma com a população", acrescenta o secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, Carlos Antunes.O presidente da comissão de Educação da Câmara, deputado Gastão Vieira, concorda com essa advertência. "Ela não pode se isolar da sociedade e precisa estar sintonizada com este País que tem imensos desafios, como a alfabetização de crianças."Para ele, caberá a universidade encontrar solução para o fato de o aluno do primeiro ano do ensino fundamental não conseguir ler e escrever, ao final do curso."Torre de marfim" e "mosteiro"O distanciamento da universidade e da sociedade também foi abordado pela professora de Filosofia da Universidade de São Paulo, Marilena Chauí. Para ela, porém, o fenômeno traz a reflexão sobre o tipo de sociedade em que vivemos. "Temos de pensar que tipo de sociedade brasileira temos que permite que a universidade seja uma espécie de torre de marfim."Marilena avalia que o modelo de universidade pública atual é resultado de uma operação realizada pela sociologia paulista. "Um modelo desenvolvido pelo Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), piramidal, em que a universidade figura no topo. Em modelo excludente." O Cebrap teve entre seus principais expoentes o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso."As universidades são os mosteiros da modernidade", comparou o ministro da Educação, Cristovam Buarque, na abertura do seminário. Os mosteiros medievais, relembrou, perderam sintonia com o ritmo e o tipo de conhecimento da época e acabaram substituídos pelas universidades.Cursos com menor duraçãoO ministro acredita que as universidades não vêem os problemas locais, têm pavor do universal e não beneficiam a sociedade. Entre as críticas, Cristovam ainda observa que a universidade não está acompanhando a velocidade do conhecimento e que os profissionais preparados por elas não chegam ao grande público.O ministro frisa também que hoje não é preciso ir para uma sala de aula e biblioteca para aprender e que o diploma de curso superior não é passaporte para o sucesso.O aluno passa cinco anos na universidade; seis meses depois de formado continua desempregado e descobre que já está defasado. Por isso, Cristovam propõe cursos com duração menor.

Agencia Estado,

07 de agosto de 2003 | 08h31

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