JF Diório/Estadão
JF Diório/Estadão

Educadores, políticos e personalidades comparecem ao velório do empresário João Carlos Di Genio

Fundador do grupo Unip/Objetivo, morreu neste sábado, aos 82 anos, vítima de infarto

Cristiane Segatto, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2022 | 19h35

Centenas de pessoas, entre elas educadores, políticos e personalidades, compareceram ao velório do empresário João Carlos Di Genio, fundador do grupo Unip/Objetivo, morto por um infarto na noite de sábado aos 82 anos. Elas destacaram o caráter inovador das ideias de Di Genio e seu legado para a educação brasileira.

A vice-reitora da Universidade de São Paulo, Maria Arminda do Nascimento Arruda, assinalou a importância que Di Genio conferiu à formação das novas gerações e, sobretudo, seu legado humano. “Era um homem de imensa capacidade de aceitar divergências de opinião e visões políticas diversas. Ele construiu seu colégio na ditadura e recebeu professores perseguidos. Para ele, o que importava era a qualidade das pessoas”, disse ela. 

 “A formação de Di Genio, que foi aprovado na Faculdade de Medicina em primeiro lugar, é uspiana”, disse Maria Arminda. “O professor Di Genio era uma liderança incontestável. Tinha a clareza de que, sem conhecimento, cultura e ciência, não se avança. “A grande obra de Di Genio é a expressão de que, sem educação, não resolveremos as questões centrais do Brasil, nem seremos capazes de superar nossa imensa desigualdade”, afirmou a vice-reitora.   

“Estamos vendo o desmonte de instituições de pesquisa e da cultura. Que o legado de Di Gênio sirva para que a gente reflita sobre o que está acontecendo. Era um homem esclarecido, que projetava o futuro”. 

Ao Estadão, a professora Sandra Miessa, viúva de Di Genio, disse que o marido passou mal em casa na noite de sábado. Chegou a ser atendido pelos socorristas, mas faleceu. “Ele não estava doente. Era hipertenso, mas tomava os remédios. O coração dele enfraqueceu e parou”, disse ela. “Foi um infarto sem dor. Ele chegou a assistir ao jogo do Palmeiras na TV. À noite, foi fechando os olhos e, quando os socorristas chegaram, não foi possível fazer mais nada”.   

Sandra lembrou as inovações de Di Genio para a educação brasileira desde os anos 60. “Foi o primeiro a colocar o computador na escola, televisão, videoaulas, aulas por satélite. Ele queria que os alunos tivessem acesso à tecnologia, às artes e ao esporte”.  

“Sempre acreditou muito nos talentos e dizia que uma pessoa não tem um talento só. Um aluno que gosta de matemática também gosta de arte etc. Ele vivia no meio dos alunos, conversando e querendo saber do que eles gostavam”, disse. 

 “Ele tinha seguidores antes da existência das redes sociais. No início da carreira, saiu da escola onde dava aulas para abrir o próprio curso e todos os alunos foram atrás”. “Foi muito inovador, gostava demais do que fazia e sempre quis ter por perto os melhores e os mais capacitados”, disse ela. “Com a abertura do curso de Medicina, em 2022, parece que ele fechou o ciclo”.

Jornalista de formação, Sandra deve ficar à frente do grupo. Eles eram casados há 37 anos e tiveram três filhos: um casal de gêmeos de 16 anos e um garoto de 14 anos. 

O ex-governador Geraldo Alckmin, aluno do médico Drauzio Varella no curso Objetivo em 1971, diz que se apaixonou tanto pela escola que se tornou professor de cursinho durante um período. Ele destacou a capacidade de visão e a generosidade de Di Genio. 

“Foi um homem generoso e de vanguarda”, disse Alckmin. “Deu uma contribuição extraordinária à educação, à ciência e à saúde, ajudou muitos alunos a ingressar na faculdade e criou umas das maiores universidades da América Latina”. 

Formado em medicina, Di Genio começou a carreira como professor de cursinho e nunca mais abandonou a educação. A professora Marília Ancona-Lopez, vice-reitora de graduação da Unip, destaca que ele tinha o desejo de abrir uma faculdade de medicina, mas teve dúvidas sobre o projeto porque queria que fosse um curso de excelência. “Felizmente, ele conseguiu ver o curso começar a funcionar agora em 2022”, disse. 

Marília trabalha no grupo há mais de 50 anos e destaca a informalidade e a franqueza de Di Genio nas relações com a equipe e a confiança que ele depositava nas pessoas. “Mais do que cobrar, sabia ouvir e conversar. Ouvia os alunos, os professores e os funcionários. Com ele, as coisas eram decididas assim”, diz. 

“Mais do que se preocupar apenas com o próprio negócio, Di Genio tinha uma visão ampla do que acontecia com a educação, a política e as instituições brasileiras”, afirma Marília. “Foi um homem de grande inteligência, capaz de avaliar múltiplas variáveis”, diz a professora. “Quando terminava uma conversa com o Di Genio, eu sempre ficava com a sensação de ter aprendido alguma coisa”. 

Tudo o que sabemos sobre:
João Carlos Di GenioUnip

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.