Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Educação em foco para quem educa

Pós promovem desenvolvimento de diretores, professores e outros profissionais envolvidos no ensino

Verônica Fraidenraich, ESPECIAL PARA O ESTADO

11 Dezembro 2016 | 03h00

As especializações lato sensu em educação são uma boa alternativa para o profissional recém-formado na área que deseja direcionar sua carreira para algum campo de trabalho específico. Servem também aos mais experientes que querem se reciclar ou aprofundar os estudos em uma nova função. 

Dentre os cursos existentes no mercado, na modalidade presencial ou de educação a distância (EaD), é possível optar por temas como gestão escolar, formação para a educação infantil, educação especial ou mesmo docência no ensino superior. Os programas têm carga horária a partir de 360 horas e duram entre um e dois anos, em média, exigindo dedicação de quem vai fazê-los.

Para garantir que o tempo destinado aos estudos valha a pena, é preciso realizar uma seleção criteriosa do curso em questão. A começar pela escolha do assunto, que deve, de fato, contribuir na aquisição de conhecimento por parte do interessado. “Temos muitas especializações no mercado com qualidade, mas o mais importante é que o aluno estabeleça um diálogo com a formação inicial e projete na pós as intenções que quer para sua atuação”, diz a professora Roberta Galasso Nardi, do Senac.

Vale mencionar que as especializações não são avaliadas pelo Ministério de Educação (MEC) e qualquer instituição de ensino superior pode ofertar um curso, desde que esteja credenciada no órgão. Todavia, há exames que avaliam a universidade como um todo e podem servir de referência na hora da escolha. 

Existe também um certificado de qualidade emitido pela Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes) para as pós-graduações strictu sensu, que são avaliadas a cada quatro anos. “Se os mestrados e os doutorados da instituição têm boas notas nessa análise, é provável que as especializações estejam no mesmo nível, já que, em geral, os professores são os mesmos”, explica Isabel Carvalho, coordenadora do programa de pós-graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).

Embora não seja obrigatório o título de mestre ou doutor para lecionar nas especializações lato sensu, é interessante saber quantos profissionais do corpo docente do curso escolhido têm essa distinção. 

É preciso considerar ainda as atividades de pesquisa da instituição. “Isso enriquece e movimenta o ambiente de aprendizagem, por meio de palestras, oficinas e grupos de estudos”, afirma a coordenadora da PUC-RS, que em 2017 oferecerá seis especializações na área da Educação.

Uma delas é sobre educação a distância, para quem quer ser tutor ou professor na modalidade EaD - a mesma na qual o curso funciona. Destinado a quem pretende atuar no ensino básico ou superior ou, ainda, na educação de jovens e adultos (EJA), o programa tem duração de um ano. As disciplinas abordam questões como a inserção do aluno no ambiente virtual, a docência, os recursos tecnológicos e as propostas metodológicas para EaD. O estudante é quem define os horários em que vai estudar, mas as provas e a defesa do projeto final são presenciais e ocorrem em 16 cidades brasileiras, incluindo São Paulo e Campinas.

Na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), uma das especializações oferecidas é voltada à formação docente para o ensino superior. O projeto foi recentemente reformulado, deixando de ser apenas presencial. “Os alunos têm uma carga laboral pesada, então, as aulas aos sábados ficaram só pela manhã, e incluímos atividades a distância, o que está dando certo”, diz Maria Otília Mathias, coordenadora do curso. 

A pós-graduação articula as teorias da educação à pratica do professor de ensino superior e garante direitos legais para lecionar em universidades. A coordenadora diz que entre os participantes há pessoas de áreas diversas, como Engenharia, Relações Internacionais e Secretariado.

Vontade de lecionar. Ana Lúcia Lima, de 51 anos, é secretaria executiva e optou pelo curso da PUC porque sempre teve vontade de dar aulas. “Queria lecionar em faculdades de secretariado, mas me encantei com a tecnologia da educação e o ensino no ambiente virtual. Quero investir nesse campo - e meu trabalho de conclusão será sobre isso.”

Já Christiano de Oliveira Souza, de 42 anos, era da área administrativa e procurou a especialização em gestão escolar, do Senac, depois de três anos como coordenador pedagógico de uma escola de educação infantil, na zona oeste da capital paulista. Para ele, o curso tem ajudado muito. Ele conta que levou seu conhecimento prático para as aulas e, ao mesmo tempo, o que aprendeu de teoria para a instituição onde trabalha. “Iniciamos na escola, por exemplo, uma reflexão do currículo, observando aspectos como as responsabilidades atribuídas a cada cargo.” 

Outro atrativo do programa é a sua extensa carga horária - 1.006 horas -, obrigatória para quem quer prestar concurso e atuar na gestão de escolas da rede estadual de ensino de São Paulo. “A proposta pedagógica, o planejamento, a gestão democrática e o empreendedorismo sob a perspectiva do líder educacional são algumas das dimensões tratadas no currículo”, ressalta Roberta Galasso Nardi, que coordena o curso do Senac.

No Instituto Vera Cruz, entre as cinco especializações oferecidas em Educação, uma trata da gestão pedagógica e da formação em educação infantil. “Somos procurados por pessoas que querem se atualizar, diretores de escolas particulares, coordenadores e professores da rede pública e entidades conveniadas com prefeituras. A riqueza da turma vem de sua heterogeneidade”, comenta Zilma Oliveira, responsável pelo curso que dura quatro semestres.

Ela explica que, em geral, as graduações em Pedagogia enfatizam o ensino fundamental e o ensino médio, deixando a desejar na primeira etapa da educação básica. “Essa área tem crescido muito em pesquisa, incentivando a prática de experiências inovadoras, até porque não há muita normatização metodológica.” 

SERVIÇO

Centro Universitário Senac - câmpus Santo Amaro

Curso: Gestão Escolar

Modalidade: Presencial

Inscrições: Até 2/3/2017

Carga horária: 1.006 horas

Custo: 24 x R$ 498 

Informações: 11 4004-1030

Instituto Vera Cruz

Curso: Gestão Pedagógica e

Formação em Educação Infantil

Modalidade: Presencial

Inscrições: Até 31/12

Carga horária: 360 horas

Custo: 13 x R$ 860 

Informações: 11 3838-5992

PUC-SP

Curso: Formação Docente -

Ensino Superior

Modalidade: Híbrido

Inscrições: Até 15/1/17

Carga horária: 380 horas

Custo: 18 x R$ 811 

Informações: 11 3124-9600

PUC-RS

Curso: EAD, com Ênfase na

Docência e na Tutoria em EAD

Modalidade: A distância

Inscrições: Até 17/4/2017

Carga horária: 363 horas

Custo: 19 x R$ 300

Informações: 51 3320-3727

DEPOIMENTO

’Mudei toda a concepção das reuniões’

Thaís Monteiro Ciardella,

aluna de Gestão Pedagógica e Formação em Educação Infantil, do Instituto Vera Cruz

“Quando saí da sala de aula e recebi o convite para assumir a coordenação pedagógica de uma escola de educação infantil, achei que tinha de conhecer melhor o currículo desse nível de ensino. Resolvi, então, procurar uma formação na área e me interessei pelo curso do Instituto Vera Cruz, porque, além da alfabetização, ele aborda em profundidade a atividade pedagógica com bebês.

Estou terminando o programa e muito do que aprendi nas aulas consigo usar no trabalho. Mudei toda a concepção das reuniões de formação dos professores, tornando-as mais regulares e promovendo discussões que estimulem a troca de experiências entre o grupo.

Também passei a fazer observações de sala de aula, para registrar as práticas docentes e depois usar o conteúdo para reflexões que favoreçam novas possibilidades de intervenções, visando à melhoria do ensino.” 

PARA ACERTAR NA ESCOLHA

Tema 

Observe se o tema do curso escolhido contribui para a sua atuação profissional. Certas opções podem te agradar pessoalmente, mas não ajudar no campo da profissão. 

Rankings 

A qualidade dos cursos de especialização não é monitorada pelo Ministério da Educação (MEC), mas o interessado pode verificar como a instituição se posiciona nos rankings nacionais e internacionais tanto de graduação como de mestrado e doutorado. Essa checagem pode ser um ponto de partida na hora de escolher o curso.

Onde checar 

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), por exemplo, dá notas para os cursos de mestrado e doutorado das instituições de ensino superior do Brasil. 

Professores com título 

Nos cursos de especialização não é exigido que os docentes tenham título de mestre ou doutor, mas o candidato também pode conferir essa informação.

Outras atividades 

Confira se o ambiente acadêmico inclui atividades de pesquisa e se promove com frequência palestras, oficinas e debates

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