Edifício Lutetia é residência de artistas de todo o mundo

Inspiração para projeto de 2004 da Faap veio da Cité des Arts, fundação que faz intercâmbios de arte em Paris

Mariana Mandelli, especial para O Estado de S.Paulo

25 Maio 2009 | 18h48

O número 78 da Praça do Patriarca, no centro de São Paulo, guarda muito mais do que uma fachada tombada pela Prefeitura. O charmoso Edifício Lutetia, construído nos anos 20, é a residência de artistas do mundo inteiro que vêm à cidade trabalhar e pesquisar, num projeto concebido pela Faap em 2004. A inspiração veio da Cité des Arts, fundação que leva alunos e profissionais do mundo inteiro para produzir arte em Paris, com a qual a Faap tem convênio. Marina e um de seus quadros: primeira individual à vista em Paris (foto: James Harkin) O programa brasileiro começou com a reforma e restauração do Lutetia, antes um prédio comercial. Hoje, são dez estúdios planejados especialmente para os artistas. Eles têm mesas retráteis para guardar material de trabalho e filtros para evitar que as pias fiquem entupidas com tintas. "Tudo foi pensado para acomodar o artista da melhor forma possível", afirma o coordenador da Residência Artística da Faap, Marcos Moraes. Visitantes têm acesso a exposições e eventos no prédio, mas não aos estúdios. Cerca de 80 artistas já se hospedaram no Lutetia, que também recebe quem expõe na Bienal ou vem ao País graças a convênios. Os últimos residentes, do projeto Pavillon - desenvolvido pelo Palais de Tokyo, centro de arte contemporânea de Paris - ficaram no prédio em maio. Participaram de um workshop em que analisaram a cidade moderna por dois ângulos: o do caos paulistano e o do urbanismo de prancheta de Brasília. "O prédio garante condições de trabalho muito boas", elogiou o argentino Axel Straschnoy, de 30 anos.  O equivalente europeu do Lutetia é um loft mantido pela Faap no bairro Marais, polo cultural parisiense. O programa é aberto a alunos, ex-alunos e professores de qualquer área da fundação que apresentarem projetos de artes visuais. A Faap seleciona um deles para ficar seis meses no loft e fornece passagem, seguro-saúde e ajuda de custo. Marcela Tiboni, de 26 anos, viveu em Paris em 2006. "Divido minha vida em ‘antes e depois da Cité’. Produzi em 6 meses o que faço aqui em 6 anos."  Marcela, no Lutetia: ‘antes e depois da Cité’ (foto: JB Neto/AE)  No momento, é a arquiteta Marina Ayra, de 30 anos, que está morando no loft da Cité des Arts. "Vou fazer minha primeira exposição individual aqui em junho. Sinto que começo a devolver a Paris um pouco de tudo que ela me deu."

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