FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

Economia criativa: quando paixão e negócio andam juntos

Profissional trabalha em áreas como cultura, mídia, games e softwares

Luciana Alvarez, Especial para O Estado

20 Outubro 2017 | 03h00

O envolvimento com as artes plásticas começou como um gosto pessoal. Ao longo dos anos, o executivo Fábio Luchetti manteve contato com esse universo também por motivos profissionais, ao coordenar projetos culturais da empresa que preside. “Fui conhecendo artistas, curadores, e fui me apaixonando cada vez mais”, conta.

Como executivo experiente, Luchetti sabia que sua paixão era importante, mas não era suficiente para montar um negócio sustentável. Por isso, se preparou muito antes de abrir a Galeria Adelina, inaugurada em abril deste ano. “Levei cinco anos nesse projeto. Fiz o curso de Museologia da Belas Artes, conheci o circuito da arte, entendi o lugar da galeria neste circuito, mapeei as principais galerias do Brasil e de fora.”

As artes plásticas fazem parte de um novo campo chamado de economia criativa, que passa também pelas demais expressões artísticas, pela mídia, pela arquitetura e pelo desenvolvimento de games e softwares. “Envolve o bem-estar, o que o ser humano precisa além do material”, explica Sidney Leite, pró-reitor acadêmico do Centro Universitário Belas Artes.

Mudanças. É um setor que, no Brasil, tem apresentado um desempenho bastante positivo. De 2010 a 2016, de acordo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), as vendas de ingressos de cinema cresceram 63%, enquanto as vendas de automóveis encolheram 38%, por exemplo. A aposta é que esse resultado positivo se mantenha ao longo dos próximos anos, defende o professor. “A inteligência artificial vai solapar as profissões tradicionais. Mas as do mercado criativo devem crescer”, afirma.

Embora seja um ramo promissor, o próprio setor criativo está passando por uma metamorfose em decorrência da tecnologia. Portanto, o artista e o intelectual precisam aprender novas competências, recomenda Silvio Passarelli, diretor da Faculdade de Administração da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). “As fronteiras entre as profissões estão se diluindo. O desafio comum é como fazer as pessoas pagarem pelos bens culturais”, afirma Passarelli, apontando que experiências virtuais devem substituir as reais. “Gosto de futebol, mas não preciso mais ir ao estádio porque vejo melhor o jogo em casa. Daqui a pouco não precisaremos mais ir a shows como o Rock in Rio”, prevê o diretor da faculdade da Faap. 

PROFISSIONALIZAÇÃO AJUDA A COMBATER PRECONCEITO

+ Profissionais dessas áreas da economia ainda se deparam com um paradoxo. Apesar de resultarem em riqueza e prometerem um futuro promissor, ainda hoje as profissões ditas criativas enfrentam certo preconceito. “Está diminuindo, mas uma parcela da população tem dificuldade em relacionar artes e criatividade com geração de riquezas”, afirma Caio Bianchi, professor de Gestão da Criatividade e Inovação da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Por isso, é importante aumentar a profissionalização do setor, assim como a incorporação do conceito de criatividade em todas as áreas econômicas. “É uma competência profissional como qualquer outra, que pode ser desenvolvida e aperfeiçoada”, garante Bianchi. A necessidade de profissionalização é sentida no dia a dia pelo consultor de Marketing Lucas Ferreira, que tem como cliente uma rede nacional de artesanato. Para se aperfeiçoar, ele cursou uma pós-graduação de economia criativa na ESPM. “O artesanato no Brasil ainda é muito informal. O desafio é agregar o valor econômico, além do simbólico e cultural que ela já tem, a essa construção criativa”, afirma Ferreira.

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