<!-- ecarreira -->Setor de calçados desafia percepção de executivos

Pelo menos uma vez por ano, o executivo gaúcho Sérgio Baccaro, de 30 anos, gerente de Marketing da fabricante de calçados West Coast, sai da rotina de negociação com clientes, de discussões sobre gestão de marca e segue em peregrinação por inúmeras cidades da Europa. Na última temporada, por exemplo, em março, visitou sete cidades em 15 dias.Ele vai a bares undergrounds, points e ruas freqüentadas por universitários de todo o mundo, feiras culturais e mercados abertos. Tem um hobby bem inusitado. Tira fotos dos pés das pessoas. Observa tudo que indique comportamento.Férias? "É trabalho. São nessas viagens que afino as percepções para as tendências," explica.Investigação de costumesAs viagens de Baccaro, feitas em companhia do estilista da marca, Luiz Wickert, são parte de uma investigação de costumes, tarefa profissional bancada pela West Coast, como parte da estratégia que dá suporte à meta da empresa de ser uma marca global.A fabricante gaúcha de calçados masculinos surgiu no mercado há 15 anos. Nos últimos dois, investiu no mercado externo. Hoje exporta para mais de 35 países, de todos os continentes.Baccaro trabalha na empresa há três anos e foi incumbido da tarefa de transformar a empresa em uma marca global. Daí a importância de reconhecer tendências mundiais. "É um trabalho que dá muita satisfação. Além de ter a oportunidade de ver uma empresa crescendo, conheço o mundo todo", diz o gaúcho, que já tem planos de fazer um segundo MBA.Música e cinemaBaccaro diz que, além de entender de negócios, finanças, logística e estoque, na sua carreira, é preciso ouvir músicas dos mais variados estilos, ver filmes, e estar aberto aos movimentos culturais. "Nossa coleção primavera verão 2004 tem inspiração no hip - hop, reggae, soul e grafite", observa.O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Elcio Jacometi, afirma que hoje o Brasil já exporta para países reconhecidos como excelência mundial de calçados, como a Itália."Além disso, vem enfrentando a China, vendendo muito para os Estados Unidos e até para a Arábia. Vemos aí que é um setor dinâmico e que cobra dos profissionais visão de negócios e de tendências."Tirando rótulosO estilista Carlos Miele, criador da M.Officer, aponta uma outra revolução no mercado de trabalho. No comando do lançamento das coleções da marca, ele diz que, apesar de sua base gerencial, delega tudo aos seus homens de finanças."As pessoas começam a tirar rótulos. Não existe mais o profissional que só trabalha com o tangível e outro com o intangível. Há muita gente criativa na contabilidade," diz. "O criador tem de estar atento a todas as áreas."Cultura e marketingMuitos executivos assinam embaixo do que diz o estilista, um ex-aluno da Fundação Getúlio Vargas.De cinco anos para cá, o Brasil se tornou vitrine de tendências e exportador mundial de modelos, calçados e estilistas.O mercado da moda no País está em ampla expansão e, por conta disso, está se tornando cada vez mais exigente. "Não dá mais para desvincular o conhecimento de negócios do design, da cultura e do marketing", observa André Robic, diretor executivo do Instituto Brasileiro de Moda (IBModa), escola que oferece programas executivos na área."Com a competição global, é cada vez mais importante estar atento ao design e à mensagem do produto. E isso é um desafio para que os profissionais tenham uma visão mais ampla."

Agencia Estado,

01 de setembro de 2003 | 01h39

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