<!-- ecarreira -->Meio ambiente invade universidade brasileira

Na data em que se celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente, já se pode dizer que vai longe o tempo no Brasil em que a preocupação com a poluição, o desmatamento, as mudanças climáticas, aquecimento global, desenvolvimento sustentável e outras questões ambientais era coisa apenas de ONGs ou ecologistas.De uns tempos para cá, temas ligados ao meio ambiente invadiram as universidades e institutos de pesquisas e passaram a receber a atenção de pesquisadores das mais diversas áreas da ciência. Um dos indicadores disso é o número de cursos de graduação ligados ao meio ambiente, que passou de 33, em 2000, para 176, em 2004, segundo dados do Ministério da Educação (MEC).O fenômeno se repete na pós-graduação. Segundo o coordenador do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (UnB), Marcel Bursztyn, o número de programas de pós-graduação na área de meio ambiente cresceu o dobro das demais áreas nos últimos seis anos - 24% e 12%, respectivamente.30 cursos"O primeiro curso de pós-graduação na área ambiental surgiu há dez anos", diz Bursztyn, que foi presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), na gestão de Cristovam Buarque no MEC. "Hoje, eles são 30."O crescimento começou a partir da legislação ambiental brasileira, na década de 80. "Nessa época, a preocupação com as questões ambientais começou a se expandir em todos os setores dentro das universidades", explica a pesquisadora Teresinha Guerra, do Departamento de Ecologia, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)."Outras áreas do conhecimento, tais como economia, administração, direito, química e engenharias, também passam a incorporar a questão ambiental em algumas disciplinas e programas de pós-graduação e pesquisa. Hoje, praticamente todas as universidades têm núcleos que atuam na área ambiental."Demanda por conhecimentoDe certa forma, o crescimento do número de cursos e de pesquisas na área ambiental também é uma resposta à demanda que existe na sociedade por conhecimentos e soluções para os problemas ecológicos. "Essa demanda é imensa", diz a ecóloga Lúcia Ferreira, do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "Principalmente em três temas: recursos hídricos, biodiversidade e energia.Em menor grau, também merecem atenção as mudanças climáticas, o manejo dos recursos naturais, o turismo ecológico e o consumo sustentável."Com tanto campo para estudo e atuação, não falta emprego para quem decidir seguir carreira em profissões ligadas ao meio ambiente. "Quem se forma nos cursos das áreas ambientais não fica desempregado", garante Bursztyn. "O nosso programa de pós-graduação, criado em 1995, é um exemplo. Já formamos 40 doutores e 180 mestres e todos estão empregados."

Agencia Estado,

05 de junho de 2004 | 18h49

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