<!-- ecarreira -->Executivo de finanças não é mais ?policial financeiro?

Acabou a era de só pensar em cortar custos. O principal executivo de finanças não vai mais se dedicar a cortar despesas, mas a impulsionar o crescimento de negócios, a ser um estrategista. É o que atesta a pesquisa mundial realizada pela divisão de consultoria da IBM (Business Consulting Services), com mais de 450 executivos de finanças (Chief Financial Officers - CFOs), recém divulgada.Executivos à frente do principal posto de finanças de empresas de todo o mundo estão pleiteando mais preparo para enfrentar a nova dinâmica de negócios que impacta os departamentos financeiros das empresas. O estudo aponta que o CFO está deixando de ser o ?policial financeiro? para ocupar um novo papel, o de assessor estratégico do negócio.A pesquisa mundial Global CFO Survey colheu depoimentos de 450 gerentes de finanças em 35 países. A média de receitas das empresas pesquisadas é de U$S 8.4 bilhões. A composição de setores ouvidos: 23% serviços financeiros, 14% setor comunicações, 24% distribuição (inclusive varejista), 28% industrial e 11% setor público.Dois terços dos entrevistados consideram a gestão da performance do negócio e o aumento do valor para o acionista como suas principais prioridades. Como grupo, eles esperam que suas atividades de gestão da performance aumentem mais que o dobro nos próximos três anos. Menos de 40% dos entrevistados consideraram que a administração do balanço seja uma atividade chave.?Chief Focus Officers??Estes executivos reconhecem que desempenham um papel central na condução dos processos de gestão da performance e governança, que permitem obter uma vantagem competitiva, ou seja, estão mudando de Chief Financial Officers para Chief Focus Officers?, diz Martiniano Lopes, sócio de estratégia da IBM Business Consulting Services para América Latina.?O desafio consiste em tornar essas mudanças significativas e ao mesmo tempo reestruturar o custo de forma drástica?, completa.A pesquisa destaca também os desafios que enfrentam os departamentos financeiros das empresas na tentativa de estender sua influência além do setor executivo, abrangendo todas as áreas do negócio. Apenas 50% dos CFOs expressaram que suas organizações contam com profissionais de qualidade e orientados ao negócio e mais de um terço deles acredita que sua empresa não tem pessoal suficiente ou com a qualificação necessária.Outro desafio significativo apontado é que os processos de gestão da performance do negócio não estão se desenvolvendo no ritmo necessário. Mais de 70% dos CFOs consideram a informação um ativo importante que deve ser administrado de forma mais eficiente, no entanto, apenas 20% dos gerentes de negócio têm acesso aos dados integrais da empresa, necessários para a tomada de decisões.GovernançaA maioria dos executivos entrevistados visualiza a gestão da informação como uma grande oportunidade de melhorar a governança e o controle que, segundo eles, é uma questão-chave nos negócios. Embora para eles seja evidente que os requisitos de governança devem ser transformados em vantagem competitiva, 25% dos executivos de finanças apontaram que o atual cumprimento dos quadros de governança é fraco.A pesquisa revela ainda que os investimentos feitos em tecnologia estão longe de ser plenamente aproveitados. Apenas 19% dos CFOs afirmam que se aproveita a funcionalidade plena dos sistemas de planejamento de recursos da empresa (ERPs).Além disso, os processos de automação, terceirização e entrega de serviços compartilhados são vistos como meios potenciais para reduzir os custos de entrega e conseguir que os custos de finanças sejam mais variáveis. De fato, mais de 60% dos executivos de finanças anunciaram que pensam terceirizar processos e atividades específicos no futuro próximo.Papel em evoluçãoSegundo a pesquisa, fica evidente que os CFOs sabem que seu papel está em evolução, pois mais de dois terços cita como sua principal prioridade ?dar suporte à criação de valor para o acionista?. Para isso, eles pensam continuar focando as finanças na redução significativa das atividades transacionais, de 50% a 34%.Para que esta mudança seja possível, um aumento de 200% na exploração de seus sistemas ERP será estabelecido ao longo dos três próximos anos, com informações disponíveis em tempo real, contribuindo assim para o papel mais destacado como apoio na tomada de decisões.O estudo destaca também a necessidade de que estes executivos sejam mais proativos na adoção das melhores práticas para a gestão da performance, considerando a terceirização como forma de reduzir e variar custos, e direcionando melhores processos para o desenvolvimento do pessoal.O impulso proativo das decisões relativas ao desenho do modelo de negócios e a configuração da carteira serão de grande importância para o êxito destes profissionais.

Agencia Estado,

25 de junho de 2004 | 13h39

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