<!-- ecarreira -->Capes tenta saber que carreiras vão nascer. E quais vão morrer

Bastou a indústria petrolífera alertar, dois anos atrás, sobre a falta de engenheiros brasileiros qualificados para atuar no setor, e hoje o curso de Engenharia de Petróleo é o segundo mais concorrido da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com 21,8 candidatos por vaga. O Brasil tem uma juventude atenta às oportunidades e disposta a se dedicar a novos campos profissionais, desde que eles se mostrem promissores e ofereçam mais do que um diploma inútil num mercado saturado. Mas que outras áreas, além da petrolífera, estão precisando de cérebros e braços? É o que a Capes deve tentar responder.A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) reconhece que está na hora de fazer o 4.º plano estratégico para indicar áreas que estão precisando de profissionais e, conseqüentemente, de novos cursos ou vagas de graduação e pós-graduação. Aliás, está mais do que na hora de fazer o chamado Plano Nacional de Pós-Graduação. ?O último foi feito em 1989, e hoje estamos desarmados quanto às demandas da sociedade?, analisa o sociólogo Marcel Bursztyn, que assumiu a presidência da instituição em agosto. ?Precisamos identificar que carreiras vão morrer e que carreiras vão nascer.?Na falta de uma pesquisa abrangente e confiável, estudantes e profissionais têm de contar com o ?feeling? de analistas de programas vocacionais e com o conhecido movimento de ?manada?: se muitos estão optando por uma determinada carreira, deve ser porque há demanda e ela é promissora. Bom para os primeiros, péssimo para os que vierem a partir da metade do rebanho, pois terão de disputar acirradamente as vagas restantes ? quando elas restam. Pior: muitas vezes só se percebe a saturação do mercado quando o suado diploma já está nas mãos.Vagas que acabamSeja na Engenharia de Petróleo ou em Relações Internacionais ? o curso mais concorrido da Unesp em julho ?, áreas que atualmente demandam mais profissionais, ainda falta saber quantos desses profissionais podem ser absorvidos, ao longo de quanto tempo. Sem estes dados, corre-se o risco de formarem-se duas ou três gerações de especialistas que já não encontrarão mais as vagas que hoje eles almejam. ?Não sei se hoje os egressos das escolas de administração de empresas estão conseguindo empregos?, preocupa-se Bursztyn.?Já entre o pessoal que se forma na área de meio ambiente, vejo que todo mundo está empregado?, compara ele, lembrando que estas são apenas impressões e constatações, que não servem para estabelecer uma política de incentivos para criar ou ampliar determinados cursos de graduação e pós. É preciso estudar mais a fundo, por exemplo, as áreas de responsabilidade ambiental e social das empresas para então dimensionar o mercado e projetar cursos. Sabe-se que fundações ? ligadas ou não a empresas ? e outras organizações não-governamentais das áreas ambientais e sociais criaram 340 mil empregos de 1991 a 95, segundo o Instituto Ethos, e que em 95 as 280 mil ONGs brasileiras movimentaram R$ 10,6 bilhões (1,5 % do PIB). É um belo mercado, sem dúvida, mas falta saber todo o resto sobre ele.Necessidades do PaísSegundo Bursztyn, a Capes vai fazer o mapeamento das carreiras em expansão de forma ?serena e constante?, sempre consultando os meios acadêmicos. ?O mercado sozinho não dá conta de indicar os profissionais de que o Brasil precisa; o papel regulador do Estado é fundamental?, justifica. Nisso contam, também, as necessidades estratégicas do País. ?Se percebemos que vamos precisar de mais botânicos para trabalhar na Amazônia nos próximos dez anos, temos de começar hoje a preparar os formadores desses botânicos.?Uma vez definida a necessidade, a Capes entra com incentivos para estudantes, professores e pesquisadores nas áreas com carência. ?São induções temáticas e regionais?, explica ele. ?Regiões pouco servidas de pesquisadores passam a receber mais incentivos, como o Amazonas, que hoje tem apenas 1% dos bolsistas financiados pela Capes.? A coordenação vem sustentando os estudos de 24.995 bolsistas neste ano, com R$ 422,762 milhões, valor que deve ser mantido em 2004.

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