<!-- eartigo -->Tecnologias na Rede Municipal de Ensino de Curitiba

Este texto traz um breve relato dos sete anos da atual gestão da Secretaria Municipal da Educação (SME) no que se refere à introdução de novas tecnologias na Educação, na Rede Municipal de Ensino de Curitiba (RME).Caracterização da RMEA Rede Municipal de Ensino (RME) de Curitiba conta com 160 escolas, das quais onze oferecem de 5.ª a 8.ª série e as demais oferecem os primeiros quatro ou cinco anos do ensino fundamental, podendo também oferecer EJA (Educação de Jovens e Adultos). Entre essas escolas, também há duas especializadas, que atendem alunos com portadores de necessidades especiais, particularmente na área mental. A RME ainda conta com oito centros de atendimento especializado (CMAEs), para os quais são encaminhadas crianças com dificuldade de aprendizagem. Nos CMAEs, as crianças recebem atendimento de psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, pedagogos, professores que atendem na área auditiva e visual.No primeiro semestre de 2003, a Secretaria da Educação absorveu parte da extinta Secretaria da Criança, incorporando à sua rede de equipamentos mais 137 creches, agora denominados Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), 29 locais com o Projeto PIÁ (Projeto de Atendimento à Infância e à Adolescência), 32 PIÁs Ambientais. O atendimento nos PIÁs, que era assistencial, passou a ter caráter educacional, recebendo, em contraturno, os alunos das escolas. A RME ainda conta com 45 Faróis do Saber, que são bibliotecas de atendimento às comunidades, que, além de acervo bibliográfico, oferecem também acesso gratuito à Internet.São, portanto, 411 equipamentos que atendem diariamente cerca de 112 mil alunos na rede de escolas e mais de 17 mil crianças nos CMEIs. Com 12 mil funcionários e um orçamento anual da ordem de R$200 milhões.O investimento em ferramentas tecnológicas tem caracterizado os últimos anos da administração da SME, que busca modernizar as escolas e tornar os professores aptos a usar a tecnologia, incorporando-as ao cotidiano escolar, para o benefício dos alunos de todos os segmentos envolvidos no processo educacional.Aplicações AdministrativasParte do investimento em tecnologia visa fins especificamente administrativos. Para essas finalidades, a SME tem no Instituto Curitiba de Informática (ICI) um grande fornecedor de produtos e serviços. O ICI, uma organização social sem fins lucrativos, desenvolve sistemas, provê a conexão de Internet e é responsável pela instalação e manutenção dos equipamentos e sistemas de uso administrativo nas escolas.Sistema EscolarA partir de 1994, a SME informatizou os procedimentos relativos à vida escolar do aluno, com a implementação do Sistema de Controle Escolar desenvolvido em DOS, substituído, em 1999, por um sistema em Windows, que se encontra em funcionamento nas escolas.Em 2004, será implementado o novo Sistema de Gestão Educacional, em plataforma WEB. Esse sistema possibilitará o acesso dos pais, via Internet, a informações relativas à vida escolar de seus filhos. Professores e secretários escolares vão utilizá-lo para lançamento das avaliações, transferência de alunos na RME e emissão de relatórios gerenciais.Matrícula GeorreferenciadaA matrícula georreferenciada visa resolver o problema de filas nas escolas, na época da matrícula. As crianças não se matriculam mais em uma determinada escola. Matriculam-se na Rede Municipal de Ensino e esta lhes designa uma vaga na escola mais próxima da sua residência. Isso também permite antecipar as pressões de demanda de cada escola, garantindo o atendimento. O sistema não impede que pais solicitem vaga em outra escola, mas dá prioridade de atendimento, em cada escola, para as crianças que morem na área de abrangência da unidade.Aplicações PedagógicasO uso de tecnologia para fins educacionais tem muitas frentes de desenvolvimento na SME. Caracteriza-se também pela multiplicidade de fornecedores e pela diversidade de soluções, de escola para escola.Rádio EscolaEste projeto se iniciou em 1995 e visava explorar as características da produção e veiculação de programas de rádio para incentivar os alunos a desenvolverem o domínio da língua, seja para a elaboração de textos, seja para oralidade, proporcionando aos professores a oportunidade de explorar, com os alunos, aspectos culturais, ambientais e sociais na preparação da programação.Quatro escolas foram interligadas por linhas telefônicas do tipo LPS (linha Permanente de Som). Em duas delas foram construídos estúdios de gravação, com equipamentos e instalações equivalentes aos de uma rádio profissional. Havia programas ao vivo, com entrevistas e notícias, e também programas gravados. Os programas eram produzidos pelos próprios alunos, com orientação de professores especialmente capacitados para isso.Entretanto, este projeto não foi além das quatro escolas. Na época em que deveria ter sido ampliado, o projeto foi ofuscado pela implantação da informática nas escolas por intermédio do Projeto Digitando o Futuro, que roubou a cena e os recursos do Rádio Escola. O Projeto Rádio Escola seria reativado exatamente pelo Digitando o Futuro. Com o aumento da velocidade da conexão de Internet nas escolas, será possível, num futuro próximo, retomar um projeto semelhante ao Rádio Escola, com a transmissão de programas utilizando a tecnologia de ?web-radio? e voz sobre IP.TV ProfessorA TV Professor iniciou efetivamente em 1996, com a proposta de levar às escolas programas de interesse de professores e alunos. No início, o sinal não chegava a todas as escolas, devido à grande dispersão geográfica dentro do município. Chegou-se a tentar uma solução mista, com parte das escolas recebendo o sinal via rádio e parte via cabo, mas a solução definitiva só veio com a transmissão via satélite, em 2001. Atualmente, a produção de programas é toda própria, feita com auxílio de uma produtora de TV contratada pela SME.São produzidos três programas de meia hora por semana, com temas elaborados por uma equipe da SME. Esses programas são veiculados às segundas, quartas e sextas-feiras, em cinco horários, sendo dois pela manhã, dois à tarde e um à noite. O programa de cada dia tem um tema específico e normalmente inclui a participação de escolas que estejam produzindo trabalhos relacionados com o tema.A TV Professor tem quatorze quadros (programas) diferenciados, que são utilizados conforme a necessidade e a adequação para o tema do dia: Alô Professor (divulga campanhas e programas da Secretaria), Momento Educação (apoio administrativo e fundamentação pedagógica), Seu Minuto na TV (divulga habilidades de profissionais e alunos), Trocando Idéias (intercâmbio de experiências), Notícias, Nossa Saúde, Fazendo História, Você Cidadão, Cultura, Eu Gostaria de Saber, Natureza, Antigamente Era Assim, Contando História e Pensamento do Dia.Digitando o FuturoEste projeto se iniciou em 1997, com três objetivos principais: (1) introduzir efetivamente a informática como ferramenta pedagógica nas escolas da RME; (2) oferecer cursos noturnos de informática para a população; e (3) criar locais de acesso público e gratuito à Internet.Laboratórios de InformáticaA SME teve um projeto de informática em suas escolas que se iniciou em 1992, com a instalação de laboratórios em duas escolas. Esse projeto ficou restrito a essas escolas e capacitou um número muito pequeno de professores, pois se trabalhava com a idéia de que deveria haver um professor de informática responsável pelas atividades no laboratório. Apesar disso, alcançou alguns resultados muito interessantes, quando se usaram programas de autoria como o LogoWriter, nos quais os alunos já podiam exercitar sua criatividade e trabalhar em níveis crescentes de complexidade.As escolas de 5.ª a 8.ª série da RME receberam em 1995 laboratórios de informática com micros na plataforma DOS, sem o uso de softwares pedagógicos. Em 1998, iniciou-se o Projeto Digitando o Futuro, ainda numa fase de projetos piloto, em seis escolas e um centro de atendimento especializado. Em 1999, o projeto se expandiu para 45 escolas e dois centros e, em 2003, já está presente em 139 escolas e sete centros.O Digitando o Futuro tem a descentralização como principal característica distinta. Não se trata de um projeto, mas de tantos projetos quantos forem os locais de sua implantação. Na fase inicial, de projetos piloto, cada empresa candidata a se tornar fornecedora montou, por sua conta e risco, um laboratório de informática numa escola, capacitando todos os seus professores. Essas experiências foram compartilhadas com outras escolas, por meio de seminários, visitas e um jornal-mural semanal.Finda a fase de pilotos, cada escola escolheu uma das empresas candidatas e, junto com ela, montou seu próprio projeto. Os projetos passaram por uma comissão de avaliação e, em seguida, a SME repassou recursos financeiros a cada Associação de Pais, Professores e Funcionários (APPF). As empresas foram contratadas pelas APPFs para fornecer todos os computadores e periféricos, bem como seus softwares e todos os serviços de instalação e de capacitação (para todos os professores de cada escola). A SME não determinou padrões quanto a número de máquinas, nem quanto a softwares ou sistemas operacionais a serem adotados, nem quanto à forma ou à carga horária da capacitação.O contrato de cada escola com a empresa escolhida durou um ano. Depois disso, a SME inicia um repasse trimestral de recursos destinados à manutenção. Novamente cabe à própria escola selecionar e contratar uma ou mais empresas prestadoras de serviços de manutenção, seja para chamados esporádicos, seja para um contrato de manutenção preventiva.Educação PermanenteOs cursos noturnos de informática para a comunidade são feitos pelo Programa de Educação Permanente. A escola disponibiliza o local para um ou mais professores e estes oferecem seus cursos e montam suas turmas. Os cursos são pagos, mas suas mensalidades são compatíveis com o padrão socioeconômico da comunidade próxima de cada escola, o que se demonstra pelo grande afluxo de pessoas que os freqüentam.A maior parte desses cursos é de informática básica e de ferramentas de escritório, como editores de texto, planilhas eletrônicas e programas de apresentação. Parte da mensalidade vai para a APPF, ajudando a cobrir os custos de manutenção dos computadores. Em 2003, havia uma média mensal de 1.250 pessoas freqüentando esses cursos.Internet nos Faróis do SaberO acesso público e gratuito à Internet é oferecido nos Faróis do Saber. Cada farol foi equipado com 9 computadores e uma conexão à Internet. Os usuários só precisam se cadastrar e marcar um horário para o uso. O atendimento, em cada local, é feito por estagiários, que fazem o agendamento dos horários e também podem orientar usuários que não estejam familiarizados com o uso do computador.Embora haja usuários de praticamente todas as faixas etárias e níveis sociais, a grande maioria é de estudantes, que utilizam os computadores para fazer pesquisas e trabalhos e para acessar suas caixas postais, que o projeto também oferece gratuitamente. Além dos Faróis do Saber, o projeto também foi instalado na Rua 24h, no centro da cidade, onde está disponível durante 24 horas por dia, nos sete dias da semana. A implantação e administração desses locais ficaram a cargo do ICI. Em setembro de 2003, os mais de 100 mil usuários cadastrados já haviam totalizado, desde o início do projeto, mais de 1,5 milhão de acessos à Internet em 430 computadores disponíveis nos 48 locais.No último trimestre de 2003, entra em operação o Ônibus do Digitando o Futuro, um ponto móvel de acesso gratuito à Internet, levando este serviço, ao menos temporariamente, a locais distantes dos Faróis do Saber.Projeto TeiaEste projeto tomou forma a partir da colaboração entre a SME e o MIT (Massachussets Institute of Technology), que se deu por meio de vários encontros, inclusive de dois eventos internacionais dos quais a SME tomou parte: o Summer Institute, em julho de 2001, no México, e o Instituto de Inverno, um ano depois, organizado pela SME, em Curitiba.Formou-se na SME uma equipe voltada à divulgação dos métodos e tecnologias compreendidos por uma teoria da educação chamada Construcionismo, criada por Seymour Papert. O criador do Construcionismo também criou a linguagem Logo (uma linguagem de programação de computadores criada especificamente para ser utilizada por crianças) e incentivou o uso do Lego como ferramenta educacional, associada a técnicas de programação e robótica.Atualmente, todas as escolas da RME possuem softwares com linguagem Logo e conjuntos Lego. A equipe montada pela SME faz um trabalho de pesquisa e de capacitação dos professores interessados em trabalhar com esses materiais. A capacitação envolve também a familiarização com técnicas de educação à distância via Internet, trabalho com projetos, mapas conceituais e o uso de diversos outros softwares de programação iconográfica e de construções virtuais (CAD).Projeto KidSmartVoltado para crianças de três a sete anos, tem a finalidade de reduzir as diferenças entre as que têm e as que não têm acesso à tecnologia. O projeto é uma iniciativa da empresa IBM e se realiza por meio de uma parceria com a SME e com o Instituto Avisa-lá.Cada sala de aula recebe um computador, instalado numa mesa especialmente projetada para crianças. Os regentes dessas turmas recebem material educativo e são capacitados para o uso do equipamento, num curso parcialmente à distância, via Internet. Em 2003 foram instalados 20 equipamentos em 10 escolas da RME. Está prevista uma ampliação para outras 10 escolas em 2004.Programa AprenderEste programa tem por objetivo criar novos ambientes reais e virtuais de aprendizagem na cidade e tem ações que determinaram o uso de tecnologias de informação e comunicação.Extra, Extra!O Projeto ?Extra, Extra!? usa o software Pluto, fornecido pela Agência Estado, para editoração de um jornal eletrônico. Com isso, alunos de 5.ª a 8.ª série criaram e mantêm seus próprios jornais, que podem ser acessados via Internet. Além da capacitação para o uso de equipamentos, como máquinas fotográficas digitais, e do software de publicação na Internet, o projeto propicia aos alunos a oportunidade de criar verdadeiras equipes de jornalismo, com divisão de trabalhos e responsabilidades.Aprender DigitalTrata-se de um curso de capacitação à distância, via Internet, oferecido para alunos da 8.ª série e para alunos de 5.º e 6.º períodos da EJA. O curso tem como objetivos enriquecer conteúdos do ensino fundamental e melhorar as condições de empregabilidade do aluno, atuando tanto na formação técnica quanto na capacidade de trabalhar em grupo. Para isso, simula-se, durante o curso, que o aluno é empregado de uma empresa virtual, que tem alguns problemas operacionais e de relacionamento pessoal.O aluno, além de trabalhar conteúdos e aprender informática, é apresentado a situações problemáticas, de natureza técnica ou ética, nas quais ele deve tomar algumas decisões. Com base nessas decisões, o sistema direciona novos questionamentos, simulando conseqüências e solicitando novas decisões. O curso tem 60 horas, com turmas nos sábados (manhã e tarde) e domingos pela manhã.Portal Aprender CuritibaO Portal Aprender Curitiba entra em operação em novembro de 2003, tornando disponíveis ferramentas de comunicação e de informação para alunos, professores, pais e também para a administração da SME. Seu menu de produtos inclui grupos de discussão, fóruns, salas de bate-papo, conteúdos educacionais (de produção própria e também adquiridos externamente), informativos, classificados, e-mail gratuito, agenda de eventos, gramática virtual e páginas personalizadas de todas as unidades e projetos da SME.No portal também se encontra um ambiente de educação à distância via Internet, utilizado para a capacitação de professores. A SME já mantém cursos à distância para seus professores, mas ainda utiliza meios tradicionais de comunicação (apostilas que são enviadas por correio ou malote aos professores). Agora, estes e novos cursos deverão ser oferecidos também via Internet, por meio do portal.Uma característica diferencial do Aprender Curitiba é sua administração descentralizada. O portal tem ferramentas que permitem que cada escola, setor ou projeto da SME crie e mantenha sua própria página, divulgando seu trabalho, interagindo com seus usuários e trocando experiências com outros projetos ou escolas, seja dentro da própria rede municipal ou em qualquer lugar do mundo.Considerações FinaisHá várias lições que podem ser tiradas da experiência da SME na condução desses diversos projetos de cunho tecnológico. Há que se observar que tecnologia tem um custo de implantação e outro de manutenção, e este normalmente é subestimado. No que se refere à informática, deve-se prever um custo de manutenção não só para máquinas, mas também de capacitação continuada.A capacitação é tanto mais eficaz quanto maior o grupo de professores da mesma escola que dela participa. É preciso criar massa crítica em cada escola. As pessoas precisam ter com quem trocar idéias, com quem tirar dúvidas. Capacitar uma pessoa e esperar que ela multiplique seu conhecimento na escola normalmente não funciona. Ocorre o contrário. Salvo honrosas exceções, a pessoa capacitada normalmente acaba por não utilizar sua capacitação, ou acaba se tornando a referência com relação àquela tecnologia, a especialista local, não repassando seu conhecimento aos demais, seja por acomodação ou por uma questão de poder.A administração descentralizada de projetos mostrou-se muito eficaz. Com a delegação de poder e responsabilidade para suas escolas, a SME conseguiu uma capacidade operacional que seria impensável no modelo centralizado. Além disso, a administração local dos recursos, com o envolvimento não só dos funcionários, mas da comunidade de usuários, valorizou ao máximo cada real investido, obtendo relações de custo/benefício muito melhores do que a média da administração pública. Isso sem que se tivesse abdicado da qualidade. Muito ao contrário: a administração descentralizada dos projetos criou melhores condições de controle da qualidade dos serviços e materiais recebidos pelas escolas. Deve-se envolver e dar poder de decisão aos beneficiários do projeto, às pessoas que vão trabalhar nele.No que se refere à opção entre softwares educacionais abertos ou fechados, pode-se dizer que existem vantagens e desvantagens em cada tipo. Os programas fechados têm um alcance pedagógico muito limitado. Depois de algum tempo, os próprios alunos já não querem mais trabalhar com eles, pois já exploraram todas as suas possibilidades. Entretanto, por sua facilidade de uso, podem ser uma boa alternativa inicial para professores que não têm familiaridade com computadores.Softwares abertos, de autoria, são claramente superiores nos seus resultados pedagógicos, mas exigem mais capacitação e motivação do professor para o seu uso efetivo. Investir inicialmente todas as fichas num só tipo de software é certamente prejudicial. É preciso ter ferramentas para atrair para o computador tanto professores mais resistentes, que precisam de programas fáceis e de resultados rápidos, mesmo que fracos, quanto aqueles professores que já estão dispostos a enfrentar desafios mais elaborados. Ter apenas softwares abertos pode criar uma barreira intransponível para os mais resistentes; ter apenas softwares fechados vai desmotivar aqueles que poderiam evoluir.Ainda no que diz respeito a softwares, embora a SME tenha dado às escolas liberdade para definir os softwares que usariam, também criou um programa de capacitação em softwares de autoria e em robótica, possibilitando o avanço dos professores que se sintam motivados. Espera-se, com isso, que os exemplos bem-sucedidos motivem cada vez mais professores a buscar a capacitação.As novas tecnologias devem ser trazidas à Educação acompanhadas de inovações pedagógicas, ou, ao menos, da ampliação de horizontes das teorias existentes. Se for para fazer no computador e na Internet o mesmo que já se fazia no quadro de giz e na sala de aula tradicional, então é melhor investir recursos em outra coisa, e não em tecnologia. Os profissionais da área tecnológica vêem grandes oportunidades de negócios na Educação e, na tentativa lícita de conquistar esse mercado, desenvolvem produtos tecnicamente muito sofisticados, mas, não raro, pedagogicamente retrógrados.A SME tem incentivado a criação de ambientes de aprendizagem diversificados, onde alunos e professores atuem com mais liberdade, aprendendo a trabalhar em grupos, de forma colaborativa, utilizando os interesses dos próprios alunos como estratégia para motivar a aprendizagem. O uso de novas tecnologias pode potencializar muito essa forma de trabalho. Entretanto, o mercado tem oferecido algumas novidades tecnológicas que vão exatamente na direção contrária, caracterizando-se por: estímulo ao trabalho isolado (cada aluno com seu computador), controle rigoroso do professor sobre as atividades dos alunos, métodos arcaicos de avaliação sendo reproduzidos pelo computador, pouca ou nenhuma ênfase no desenvolvimento da criatividade dos alunos. Tudo isso aponta para a necessidade de uma integração maior entre pedagogos e técnicos da informática para a construção conjunta de ferramentas tecnológicas para a Educação.* Superintendente da Secretaria Municipal de Educação de Curitiba

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