Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

EAD torna o nível superior acessível

Vídeos legendados e tradução em Libras ou narrações são estratégias inclusivas

César Silva, diretor-presidente da FAT

10 de dezembro de 2019 | 09h00

O Censo de Educação Superior de 2018 mostra uma tendência que se consolida a cada dia. Não só pela migração de alunos da educação presencial para a educação a distância, mas pela crescente participação na educação básica de alunos portadores de necessidades especiais. Embora a modalidade EAD seja mais acessível, é preciso entender que o conceito de acessibilidade é muito mais amplo e é papel da instituição de ensino assegurá-la. 

Entende-se como acessibilidade a condição para utilização, com segurança e autonomia, total ou assistida, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos serviços de transporte e dos dispositivos, sistemas e meios de comunicação e informação, por pessoa portadora de necessidades especiais ou com mobilidade reduzida, nos termos da legislação vigente. Assim, além da qualidade, o projeto pedagógico deve incluir a facilidade de acesso ao melhor processo de ensino-aprendizagem, eliminando barreiras físicas, atitudinais, pedagógicas e de tecnologia.

De acordo com o Censo 2010, quase 24% dos brasileiros apresentam algum tipo de deficiência, sendo 18,6% visual, 5,1% auditiva, 7% motora, 1,4% intelectual ou mental. Por sua vez, o Censo Escolar de 2018 revelou que, nos últimos cinco anos, o número de estudantes com necessidades especiais matriculados em escola especial aumentou mais de 33% no Brasil.

O Inep analisou dados escolares brasileiros desde 2014 e concluiu que o número de classes especiais exclusivas chegou a 1,2 milhão no ano passado. O principal motivo para esse aumento foi o número de matrículas desses jovens especiais (entre 4 e 17 anos) em classes comuns. Em 2014, correspondia a 87,1% e passou para 92,1% em 2018. É um sinal da efetiva proposta de acessibilidade sendo cumprida.

Com esse aumento de jovens especiais frequentando as escolas de educação básica, de ensino fundamental e médio, cabe às universidades, faculdades e centros universitários se preparem para recebê-los. Diante disso, programas de graduação e pós-graduação a distância podem ser importante alternativa de continuidade de estudos, com base em ambientes virtuais de aprendizagem. 

Tais ambientes, contudo, devem ser acessíveis também com vídeos legendados e ou com tradução em Libras para deficientes auditivos, conteúdos narrados, ou com descrição audível, para os deficientes visuais. São estratégias que permitem que alunos discutam temas, desenvolvam trabalhos em conjunto e experimentem novas formas de aprendizado, rompendo as barreiras da solidão do estudo a distância. Além disso, abrem uma oportunidade de facilitação do aprendizado coletivo.

*CÉSAR SILVA É DIRETOR-PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA (FAT) E DOCENTE DA FACULDADE DE TECNOLOGIA DE SÃO PAULO (FATEC) HÁ MAIS DE 30 ANOS

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