'É uma grande calúnia', diz aluna acusada de racismo

'Fui humilhada pelo professor Paulo e exposta pelo irmão dele no Facebook', diz bolsista do ProUni

Marcelle Souza, Especial para o Estadão.edu

30 Agosto 2011 | 20h41

Acusada de racismo, a aluna de Direito do Mackenzie T., de 31 anos, disse que "é uma grande calúnia o que aconteceu". Ela nega que tenha ofendido o professor. "Até porque sou bolsista integral do ProUni e, com qualquer sanção administrativa, perderia a bolsa", afirmou a aluna, que chorou diversas vezes durante a entrevista.

Segundo T., na noite de sexta-feira, 26, logo antes da aula de Direito Penal III, procurou o professor Paulo Marco Ferreira Lima no corredor para falar de seu método didático. "A aula dele é mais um bate-papo e expliquei que sentia a falta de conceitos, que tinha dificuldade com o método dele."

A aluna disse que o professor se sentiu ofendido. Afirmou que dá aula há 20 anos e levantou a voz para humilhá-la. Os dois continuaram a discussão andando no corredor, e quando chegaram à porta da sala de aula, viram a filha de Paulo Marco, que é aluna de Direito do Mackenzie, mas não na disciplina do pai. "Ele tá te dando voz de comando", brincou a filha, segundo T.

T. disse que o professor bateu a porta na sua cara depois de ter posto a filha dentro da sala. Ela disse que se assustou, mas abriu a porta. O professor chamou os seguranças: "Não deixem ela entrar, ela está proibida de entrar na minha sala", disse Paulo Marco, segundo a estudante. T. disse que o professor se dirigiu a ela, antes de sair do prédio. "Não me dirija a palavra, não estou aqui como professor, mas como procurador de Justiça. Se continuar me dirigindo a palavra, vou te dar voz de prisão, você tá me entendendo?".

Na mesma sexta, T. procurou o diretor da Faculdade de Direito, que a orientou a fazer um relatório do que aconteceu. Ela fez  o relatório e no mesmo documento, protocolado na segunda-feira, 29, pediu transferência na matéria de Paulo Marco para o período da manhã. A decisão sobre o pedido sai na sexta-feira, dia 2. T. se disse tranquila quanto ao resultado porque o diretor da faculdade acompanha o caso desde o começo.

T. disse que não conhece o irmão de Paulo Marco, Marco Antonio, mas que não teria aula com ele. "Como vou ter aula com alguém que me acusa de racismo?", disse. "Fui humilhada pelo professor Paulo e exposta pelo irmão dele no Facebook. Sou estudante de Direito e um dia vão lembrar que me acusaram de racismo."

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