'É quase uma reprodução da desigualdade social do País'

Gladys Rocha, professora da Faculdade de Educação da UFMG, fala da diferença entre escolas públicas e privadas

Mariana Mandelli, O Estado de S. Paulo

26 Agosto 2011 | 10h14

TRÊS PERGUNTAS PARA...

 

Gladys Rocha, professora da Faculdade de Educação da UFMG

 

1. Como você vê a grande diferença entre as escolas públicas e privadas?

 

Essa questão é relacionada ao nível socioeconômico das crianças. A diferença entre os dois sistemas de ensino equivale a dois anos de escolaridade. É quase uma reprodução da desigualdade social do País. Espera-se que, com a obrigatoriedade da matrícula a partir dos 4 anos, a situação melhore.

 

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2. O que pode ser feito em relação às dificuldades que as crianças têm em ler e escrever ao final do ciclo de alfabetização?

 

Temos dois problemas, a apropriação da alfabetização por si só, o que significa o domínio das habilidades de leitura e escrita; e a consolidação dessa alfabetização, que infere que, após ser alfabetizado, o aluno seja capaz de ampliar essas habilidades aprendidas. Não basta saber ler e escrever.

 

3. A educação deve ser uma política compensatória de desigualdades socioeconômicas?

 

Temos um problema estrutural e histórico - isso é fato. Mas não acredito que a escola consiga compensar as mazelas sociais. É claro que ela tem uma função social indiscutível e funciona como um fator de mobilidade social, mas não acredito que ela, sozinha, dê conta de tudo isso. Para solucionar esse quadro, dependemos de um conjunto de fatores que passam, é claro, pela questão do ensino. Mas a responsabilidade também é da família e do poder público. As crianças estão tendo o seu direito de aprender afetado. Estamos produzindo crianças escolarizadas que são analfabetas.

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