'É preciso repensar novas perspectivas para a formação profissional dos jovens', diz especialista
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'É preciso repensar novas perspectivas para a formação profissional dos jovens', diz especialista

Em live realizada pelo Estadão, convidados falaram sobre a inserção da juventude no mercado de trabalho e mostraram propostas que ressignificam esse processo

Itaú Educação e Trabalho, Media Lab Estadão
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18 de março de 2021 | 11h04

A preocupação com o cenário de desemprego entre os jovens brasileiros e a necessidade de uma formação profissional que propicie a eles a inserção qualificada no mercado de trabalho foram alguns dos temas debatidos na live Educação Profissional e o Futuro da Juventude, produzida pelo Media Lab Estadão em parceria com o Itaú Educação e Trabalho. Com mediação da jornalista do Estadão, Renata Cafardo, participaram como convidados Ana Inoue, superintendente do Itaú Educação e Trabalho, e Rômulo Vieira, gerente-geral corporativo da Votorantim Energia.

A temática já era uma urgência latente em anos passados e passou a exigir ainda mais celeridade com a ampliação do fosso entre escola e trabalho, agravado durante a pandemia. Na última semana, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados mostrando que a taxa média de desemprego em 2020 entre pessoas de 18 a 24 anos chegou a 29,8% - a maior já registrada na série histórica.

Para Ana Inoue, esses dados mostram o quão necessário é repensar novas perspectivas de formação ao final do ensino médio. “Um país do tamanho do Brasil só atende cerca de 20% dos jovens em seu principal itinerário formativo profissional, que é a universidade. Temos que batalhar mais vagas no ensino superior, mas, enquanto isso, o que vamos propor para os outros 80%? [...] A educação profissional abre a conversa para o desenvolvimento do jovem, com possibilidade de continuidade na formação.”

Mudanças em curso

Durante sua fala, Inoue destacou os aspectos estruturais que têm afetado a educação profissional desde seu surgimento no Brasil até o momento atual. Ela relembrou que a modalidade foi criada a partir de uma leitura segregadora, que previa “não só habilitar os filhos dos desfavorecidos de fortuna” como afastá-los da “ociosidade ignorante, escola do vício e do crime”.

Em pouco mais de um século, a visão preconceituosa foi dando lugar a novos horizontes de formação, impulsionados especialmente por transformações na tecnologia, demografia e meio ambiente, dentre outras áreas. “Hoje, pesquisas apontam que até 70% dos trabalhos existentes serão impactados e modificados em até dez anos. Quando olhamos esse cenário e vemos que os cursos universitários podem levar até seis anos de duração, a educação profissional ganha outro lugar. Ela passa a ser vista como uma etapa, seja para iniciar uma carreira ou complementar outra já existente”, defendeu Inoue.

Segundo a especialista, mudanças em curso nos currículos escolares também trarão mais novidades para o segmento nos próximos anos. Uma delas é a proposta do Novo Ensino Médio, que, por lei,  deve ser implementada até 2022 e oferecerá aos estudantes a chance de escolher entre cinco itinerários formativos, incluindo um voltado para a educação profissional.

A mudança, somada a outras propostas em debate a nível estadual e federal, poderá afetar ainda mais o cenário educacional e colocar governos, empresas e organizações não-governamentais em busca de soluções conjuntas. “Uma formação para o mundo do trabalho que dê para a juventude condição de inserção em um patamar de mais dignidade é muito importante, e pode ser muito positiva. Todo mundo está olhando para essa questão”, ponderou.

Mais iniciativas para os jovens

Algumas propostas nacionais já vêm colocando em prática a ideia de uma educação profissional mais conectada às demandas da juventude e de suas comunidades, bem como aderente às necessidades dos segmentos empregadores. Um exemplo apresentado durante a live é o projeto realizado em Araripina, município localizado no sertão de Pernambuco, pelo Itaú Educação e Trabalho em parceria com a empresa Votorantim Energia e a secretaria de educação estadual.

De acordo com Rômulo Vieira, da Votorantim Energia, a iniciativa surgiu a partir de um mapeamento da empresa que identificou na região mais de 1.800 projetos ligados ao setor de energia renovável, revelando a necessidade de impulsionar cursos de formação nessa área para a população da região. “A educação técnica é uma base fundamental para a gente permitir a inclusão desse jovem no mercado de trabalho e sustentar o desenvolvimento local”, destacou em sua fala.

Ana Inoue, que também participou da implantação da proposta, explicou que os cursos foram pensados não apenas para oferecer formação técnica, mas também favorecer os aspectos sociais e emocionais dos alunos. “O desenvolvimento das habilidades não cognitivas foi um ponto forte, algo que é necessário para esse futuro que se aproxima. O jovem que será formado na proposta terá uma abrangência maior de possibilidade de atuação.”

Oportunidades para diferentes setores

Além da parceria em Araripina, o Itaú Educação e Trabalho também realiza ações semelhantes em outros Estados. Na Bahia, por exemplo, um projeto reúne universidade, secretaria e produtores locais para impulsionar o setor de cacau e chocolate no sul do Estado.

Segundo Inoue, a parceria visa instalar cursos técnicos em escolas públicas, oferecendo caminhos inovadores ao final da educação básica. “A formação profissional no ensino médio pode promover um começo de vida e uma inserção mais digna no mundo do trabalho. Defendo fortemente que essa formação não seja vista como um fim do percurso formativo dos jovens, mas sim um começo, e que tenha continuidade.”

Em São Paulo, o Itaú Educação e Trabalho atua em parceria com o Centro Paula Souza e empresas como Microsoft, Totvs e IBM, dentre outras, na organização de currículo das formações profissionais. O objetivo é garantir que as propostas dos cursos técnicos respondam com agilidade aos avanços da tecnologia e permitam aos jovens uma entrada mais qualificada no mercado.

Para Sérgio Sgobbi, diretor de relações institucionais da Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais), esse tipo de atuação oferece uma aliança entre os setores educacional e produtivo. A associação também atuou com o Itaú Educação e Trabalho na revisão das propostas curriculares em cursos técnicos e vem realizando pesquisas que apontam um déficit no número de profissionais habilitados para a demanda crescente da área.

“Compreender os anseios de desenvolvimento técnico e comportamental trazidos pelo setor produtivo, alterando as grades curriculares e ofertando cursos alinhados às demandas integra educação e sociedade. Isto pode parecer óbvio e imprescindível, mas é muito difícil de ser construído. Por isso, valorizamos sobremaneira essa parceria", destaca.

Sgobbi também afirma que a educação profissional, na sua maioria, reproduz elementos inflexíveis e que estes não reproduzem o dinamismo e a mutação do mercado de trabalho dos setores produtivos. “A educação profissional tem que estar integrada às dinâmicas da sociedade, ou seja, a grade curricular tem que ser dinâmica, flexível e atualizada constantemente, fruto de que o ensino é algo perene na nossa sociedade”, conclui.

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