TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO
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É preciso articular União, Estados e cidades contra desigualdades na Educação; leia análise

Política pública específica para populações mais vulneráveis tem de ser prioridade na pauta do Brasil

Gabriel Corrêa*, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2022 | 06h00

Os dados são mais uma evidência de como a pandemia trouxe impactos bastante graves para a Educação. A alta expressiva no número de crianças de 6 e 7 anos que não sabem ler e escrever reforça o quanto a Educação precisa ser, de fato, prioritária na pauta política do País, para que possamos nos próximos meses e anos mitigar esses efeitos. O fechamento prolongado das escolas, somado às estratégias improvisadas de ensino remoto e o agravamento da pobreza, afetou profundamente o aprendizado de crianças e jovens. E sem políticas públicas específicas para as populações mais vulneráveis, o impacto é maior nos alunos pretos e pardos e naqueles mais pobres, o que é gravíssimo. Precisamos agir com urgência para reverter esse cenário.

Reabrir escolas e garantir a presença de todos os alunos é essencial, mas não é suficiente. É um desafio imenso, mas inicial. Neste momento de volta às aulas é fundamental ter estratégias de recomposição dessas aprendizagens que não aconteceram. Se ignorarmos isso, iremos condenar toda a trajetória escolar de uma geração, e, especialmente, dos mais vulneráveis. Mas não precisa e não pode ser assim.

Sobre os desafios do poder público, é importante lembrar que, de cada 10 crianças nos primeiros anos do ensino fundamental, oito estão em escolas municipais. Isso é um indicativo da responsabilidade que possuem prefeitos e secretarias municipais de Educação. Mas não podemos achar que a responsabilidade está só nas prefeituras. Experiências de sucesso no Brasil mostram o potencial do regime de colaboração, em que governos estaduais apoiam técnica e financeiramente as prefeituras nas suas ações educacionais.

O Ministério da Educação, por sua vez, ainda que tenha indicado em discurso a priorização da alfabetização, teve uma atuação prática inexpressiva frente aos desafios presentes. Não houve apoio consistente do MEC para as Secretarias de Educação, tampouco diálogo efetivo. Na ausência de uma coordenação nacional e de consistente apoio técnico e de recursos, as respostas dos Estados e municípios aos efeitos da pandemia vêm sendo muito desiguais, o que favorece a ampliação das desigualdades, conforme estamos vendo.

* LÍDER DA ÁREA DE POLÍTICAS EDUCACIONAIS DO TODOS PELA EDUCAÇÃO

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