'É impossível eliminar o bullying', diz psicóloga

Contudo, especialista afirma que há a possibilidade de reduzir as ações

Luciana Alvarez, O Estado de S. Paulo

20 Setembro 2010 | 10h31

Educar as crianças para o respeito, com ações permanentes e conjuntas de escolas e pais, é a chave para aplacar o fenômeno, diz especialista.

 

O bullying está ficando mais frequente?

O bullying sempre existiu, mas foi potencializado e adquiriu visibilidade com o advento do cyberbullying. Antes, era considerado brincadeira de criança. Hoje, é visto como um padrão de agressão aprendido, que pode se cristalizar até a vida adulta.

 

É possível erradicar a prática?

Assim como a violência na sociedade, não é possível eliminá-la. O que se pode fazer é reduzir. Mas a maior parte das escolas não tem programas permanentes. Fazem só ações pontuais, o que é insuficiente.

 

Por que é tão difícil o combate?

É difícil porque a educação em valores – respeito, cooperação, gentileza – está deficiente. Imperam na família e sociedade modelos de desrespeito; mostra-se que é legítimo se divertir com o sofrimento dos outros. A substância do bullying é o desrespeito e a discriminação.

 

Que tipo de medida pode reduzir o bullying?

Uma ação que envolva a todos, dos funcionários às famílias, em um projeto de longo prazo. Mas essa parceria, que é absolutamente essencial, é também rara. A escola costuma acusar a família de não educar. A família tende a responsabilizar a escola, onde ocorre o problema.

 

Um agressor deve ser punido?

Consequências precisam acontecer. Mas não adianta que seja apenas punido, ele tem passar por uma conscientização e tem de haver uma reparação ao agredido. E deve haver ainda um trabalho com os expectadores.

 

Por que os expectadores?

Existe a plateia passiva, que finge que não vê, e a plateia cúmplice, que apoia. Mas pode existir uma plateia transformadora, que, ao presenciar o bullying, tenta inibir a ação do agressor e dar força à vítima.

 

O que os pais de um agredido devem fazer?

Primeiro, escutar o filho. Depois, buscar uma parceria com a escola. Não adianta tirar da escola, fora casos excepcionais. Se a vítima não fizer um trabalho para se fortalecer, pode voltar a ser vítima. Porque muitas vezes ela pertence a um grupo alvo de preconceito ou é alguém que se destaca e causa inveja.

 

E os pais de um agressor?

O primeiro passo é refletir sobre onde o filho está aprendendo aquele comportamento. Muitas vezes é de dentro de casa.

QUEM É:

MARIA TEREZA MALDONADO

É autora de A Face Oculta – Uma História de Bullying e Cyberbullying, voltado para a conscientização de crianças e adolescentes. Atualmente trabalha em um livro teórico sobre o tema.

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