Arquivo pessoal
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‘É definir uma meta e ter foco’, diz estudante de Engenharia da UFRJ

Rafael Benatti Rossi conta que era um aluno 'preguiçoso' no ensino fundamental, mas que mudou a postura no ensino médio

Rafael Benatti Rossi, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2015 | 11h54

“No ensino fundamental, eu era um aluno ruim, preguiçoso. Conseguia levar a escola sem estudar muito. No 7.º e, principalmente, no 8.º ano fui muito mal mesmo. Levei uma bronca da minha mãe e comecei a estudar depois disso. No 2.º e no 3.º ano do ensino médio, dei um gás maior ainda. Mas nunca fui o melhor aluno da sala, cheio de notas A. Era um ‘aluno nota B’.

Fiz o 3.º ano matutino e, à tarde, tinha aulas no cursinho que a escola fornecia. Pegavam as matérias que os alunos tinham mais dificuldade e davam essas aulas. Tem gente que tem certeza do que quer, mas eu estava indeciso. Participei da Semana do Emprego na escola (Colégio Santa Maria) e, muito confuso, pus os cursos que vieram à minha cabeça na hora em que a professora recolhia os papéis: Engenharia Naval, porque sempre gostei de mar e praia, e Música, porque toco violão.

Fui a uma psicóloga para orientação vocacional e deu Engenharia. Passei a considerar a possibilidade, mas escolhi por outro método. Comecei a excluir os cursos que eu não faria. Nunca quis Direito, Medicina ou Odontologia. Fui tirando e vi que gostaria de Filosofia, Matemática, Engenharia.

Passei em Engenharia de Energia na Unesp (Universidade Estadual Paulista), mas não quis fazer. Estava focado em Engenharia Aeronáutica depois de conhecer a USP (Universidade de São Paulo) de São Carlos, mas não passei da primeira fase na Fuvest. Foi minha pior prova, e me senti muito pressionado.

Com a nota do Enem, passei a analisar as opções na área e achei Engenharia Naval na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Dei uma boa olhada no curso e vi que era incrível. Era o que eu queria e por pouco não entrei. Decidi fazer cursinho, no Etapa. No meio deste ano, pude usar novamente a nota do Enem para Engenharia Naval da UFRJ e desta vez passei.

Tive de abdicar de muita coisa, mas passar é uma baita recompensa. O desafio não é só passar. É tentar achar o que você gosta, definir uma meta e ter foco. Por causa da greve, eu me matriculei só em setembro e o início das aulas ficou para outubro. Quando soube que passei, em julho, parei de cortar o cabelo. Se quiserem cortar, faz parte do ritual, pode ser legal. 

No fim, os seis meses de cursinho nem foram necessários, mas vou prestar o Enem de novo. Na pior das hipóteses, posso usar a nota para um plano B. Nos estudos, eu me tornei muito mais organizado e disciplinado. É a maior felicidade alcançar a sua meta. /DEPOIMENTO DADO A FABIO MAZZITELLI, ESPECIAL PARA O ESTADO 

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