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Dúvidas na volta às aulas 

Pais precisam levar em consideração a situação de saúde geral e também mental dos filhos

Rosely Sayão, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2020 | 17h45

O tema do momento para as famílias que têm filhos em idade escolar é o retorno às aulas presenciais. As dúvidas são muitas para a maioria dos pais. Está difícil ter confiança suficiente para enviar os filhos à escola com um pouco de tranquilidade. O que os pais precisam considerar para tomar sua decisão?

Primeiramente, a situação de saúde da criança ou do adolescente e de sua família, advertem os médicos. Muitos dos pais que já decidiram manter os filhos no ensino remoto tomaram essa decisão porque há pessoas idosas que convivem de perto com as crianças ou que são portadoras de alguma doença que pode agravar o estado de saúde caso sejam infectados. Há também casos em que a própria criança ou o jovem sofre de alguma doença. E não é apenas a saúde física dos filhos que precisa da atenção: a saúde mental tem grande relevância na tomada dessa decisão.

É que se, por um lado, os mais novos são os menos afetados pelas formas mais graves da covid-19, eles fazem parte do grupo mais vulnerável nas questões da saúde mental. Além de carregar nos ombros o peso dos efeitos negativos que este período tem provocado, precisam também enfrentar suas próprias emoções, como o estresse, a insegurança, os medos e, sobretudo, a limitação extrema à qual estão submetidos.

As crianças perderam a pouca mobilidade que tinham: ir à escola, conviver com as pessoas de lá, ir a parques ou clubes, receber colegas e amigos em casa, frequentar a casa deles, fazer passeios com a família. Tantas restrições trouxeram, para muitas delas, mudanças de comportamento. Era de se esperar, não é verdade?

Mães e pais já perceberam os filhos com dificuldades de se concentrar nas aulas remotas, mais irritados e briguentos, tristes, com problemas para dormir e se alimentar. Todas essas reações merecem atenção, o que tem sido difícil para muitos pais pela própria situação de tensão e estresse em que também vivem. Mas um esforço adicional é necessário, as consequências negativas desse período dos mais novos podem repercutir até em sua vida adulta.

Se os filhos não estão bem, a volta às aulas presenciais no espaço escolar pode não funcionar como uma solução para eles. Conhecer o filho é fundamental nesse momento, portanto. Para algumas crianças fará muito bem, para outras nem tanto, principalmente por um motivo: elas esperam a escola como a conheciam, e encontrarão outra realidade. 

Os horários preferidos dos alunos, na escola, são o de entrada, recreio ou saída: é quando encontram os colegas, brincam, se aglomeram. E estará tudo diferente: número de colegas reduzido, horários alternados, muita tutela adulta. Frustradas, algumas podem reagir mal. E, além da compreensão e acolhimento dos pais quanto ao seu sofrimento psíquico, as crianças e os adolescentes podem precisar de atendimento especializado. No caso, uma busca simples na internet lhe trará muitas indicações, inclusive gratuitas. 

Na hora de se tomar a decisão - retornar ou não à escola -, uma conversa em família pode ser de grande valia para ouvir e comentar as expectativas e os receios. 

Mas é bom lembrar: ouvir os filhos é fundamental, mas a decisão é dos adultos responsáveis. Não podemos deixar o peso de uma decisão tão complexa sobre os mais novos. Se a decisão for pelo retorno, cabe então uma visita à escola, se possível, para verificar as instalações, e um “intensivão” sobre as atitudes que os alunos terão de ter na escola. Não, não será fácil nem tranquilo para todos nós, mas é uma decisão que precisará ser tomada pela família, pela escola e pelos governos. 

ROSELY SAYÃO É PSICÓLOGA

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