Duas pessoas são indiciadas por vazamento do Enem na BA

Uma professora do município de Remanso viu o texto de apoio da redação cerca de duas horas antes da prova

Estadão.edu

24 Novembro 2010 | 01h15

A professora da rede municipal de Remanso (BA) Marenilde de Brito Affonso e o seu marido, Eduardo Ferreira Affonso, foram indiciados pela Polícia Federal (PF) na madrugada desta quarta-feira, 24, por vazarem o tema de um texto de apoio à redação do Enem cerca de duas horas antes da aplicação da prova no dia 7 de novembro. Apesar do crime, o Ministério da Educação não vai cancelar o exame.

 

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De acordo com a polícia, uma apuração de 10 dias apontou que a professora, aplicadora do exame no Colégio Ruy Barbosa, em Remanso, leu o título do que pensava ser a redação durante a abertura do caderno de provas destinado a deficientes visuais.

 

Em confissão, Marenilde afirmou que, após folhear a prova, ligou para a casa de sua sogra e repassou ao marido o tema da redação como sendo "Trabalho e Escravidão". Porém, o título era de um texto de apoio à redação, pois o tema efetivo do exame era "O Trabalho na Construção da Dignidade Humana".

 

O marido da professora pesquisou o tema na internet, ligou para o filho, que estava em Petrolina (PE), e explicou o vazamento sem contar como soube da informação. O garoto, que faria a prova, consultou os professores de redação sobre como fazer a prova com o tema que fora passado pelos pais.

 

Um dos professores procurados pelo candidato denunciou o fato. A PF em Juazeiro (BA), responsável pela investigação, quebrou o sigilo telefônico dos envolvidos e confirmou a versão dada em depoimentos. O casal confessou o crime.

 

O inquérito da PF já foi encaminhado à Justiça Federal na Bahia. Os pais foram indiciados por violação de sigilo funcional e podem ser punidos com 6 anos de prisão. O filho teve a prova cancelada pelo MEC.

 

Segundo o ministério, o vazamento foi um fato isolado porque somente o texto motivador da redação veio a público. Em nota, o governo disse que a integridade da prova de redação está mantida, pois "um simples olhar sobre o caderno de questões" não é suficiente para identificar o tema. "É preciso uma leitura atenta e acurada", afirma a nota.

 

Está mantida a nova prova no dia 15 de dezembro, às 13 horas, para os estudantes prejudicados pelos problemas de impressão e montagem do caderno de questões amarelo do sábado, 7, e que não conseguiram trocá-lo.

 

Atualizada às 17h35 para acréscimo de informações

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