Duas perguntas para Elizabeth Flory, doutora em bilinguismo pelo Instituto de Psicologia da USP

Para especialista, benefícios em ser aluno de uma escola com dois idiomas não são garantidos

Thiago Mattos, Especial para o Estadão.edu

16 Setembro 2013 | 03h00

O bilinguismo sempre foi visto como vantajoso para o desenvolvimento das crianças?

Até a década de 1960, era tido como vilão. Achava-se que a criança tinha uma capacidade limitada e, por isso, seu aprendizado seria limitado. Mas as pesquisas que mostravam isso pegavam crianças em condições socioeconômicas e educacionais desprivilegiadas em relação ao grupo de monolíngues: eram principalmente filhos de imigrantes. Hoje, esses resultados não são mais confiáveis. Quando as variáveis entre os bilíngues e monolíngues foram controladas, e os testes consideravam crianças com as mesmas condições, o resultado inverso começou a aparecer e as crianças bilíngues passaram a ter vantagens.

O que é preciso para que a criança se beneficie dessas vantagens cognitivas?

Hoje, partimos do princípio de que o cérebro pode lidar com o bilinguismo na infância e se beneficiar disso. Mas é preciso que fique claro que as vantagens são possíveis, não garantidas. Primeiro, é preciso que a criança desenvolva proficiência em ambas as línguas. Além disso, os pais devem ficar atentos para que a criança, ao adquirir o segundo idioma, não perca o primeiro. Para isso, as línguas não devem ser hierarquizadas, mas valorizadas. É importante que exista um sentido para a criança e para a família. A opção pela educação bilíngue, seja na escola ou em casa, tem de estar dentro de um contexto maior, em que os valores do idioma e os culturais sejam compatíveis com o resto da vida da família.

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