Doutorado associa futebol a revolução cultural

Tese de Raul Milliet Filho demonstra a contribuição importante do esporte na cultura brasileira

Carolina Stanisci, Especial para o Estado de S. Paulo,

27 Outubro 2009 | 00h56

É banal chamar futebol de arte. A tese de doutorado "Cenários e Personagens de Uma Arte Popular: Futebol Brasileiro, Hegemonia, Narradores e Sociedade Civil", de Raul Milliet Filho, foge do lugar-comum e demonstra, em 424 páginas, a contribuição importante do esporte na cultura brasileira. Aprovada com distinção e louvor, em agosto, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, a tese mostra a revolução que o esporte promoveu na estética e na linguagem oral e escrita no Brasil.   Milliet aponta a entrada do negro como personagem de destaque na sociedade como mudança de paradigma. "A modernidade da nossa cultura tem os pés fincados no futebol e no samba." Sobrinho do jornalista esportivo e técnico da seleção João Saldanha, o carioca Milliet gostava desde menino de assistir no estádio às partidas do seu time, o Botafogo. Anos depois, formado em História e professor, atraía a atenção dos alunos por meio de paralelos entre os fatos políticos e a história do futebol. "Eles gostavam."   O autor da tese faz um panorama da história do esporte, desde sua chegada ao País, no final do século 19. Em um capítulo, são lembradas as máximas futebolísticas de Neném Prancha, Gentil Cardoso, Nelson Rodrigues e João Saldanha. Esses cronistas do futebol teriam contribuído para uma mudança na linguagem escrita e falada no País, com expressões como "deu zebra" e "quem não faz leva".

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