Doria quer usar bancos para instalar creche

Ele terá de abrir 182 vagas/dia para cumprir meta de criar 66 mil posições até dezembro

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

03 Janeiro 2017 | 03h00

SÃO PAULO - O prefeito João Doria (PSDB) estabeleceu na segunda (2) sua primeira meta do plano de governo: disse que, até 31 de dezembro, vai abrir 66 mil vagas para creches (para crianças de 0 a 3 anos) e que, para isso, terá ajuda de bancos. Assim, a partir de hoje, ele terá de entregar 182 vagas por dia até o fim do ano. A cidade tinha 505 mil vagas ocupadas até o mês passado.

“Convidamos algumas instituições financeiras, do setor privado e também instituições federais, para colaborarem com a cidade”, disse Doria. “Não é para que ofereçam dinheiro, é espaço físico. Todas as instituições financeiras do País estão se desmobilizando. Pedimos a essas instituições que destinem alguns desses imóveis para a criação de creches.”

Mais tarde, a Secretaria Executiva de Comunicação informou que doações em dinheiro para o Fundo Municipal de Educação também estariam na negociação, uma vez que é prática comum entre as instituições o aluguel de agências. Doria afirmou que a única contrapartida oferecida aos bancos era a chance de ajudar a cidade. Serão reservados R$ 230 milhões do orçamento. 

Em novembro, o Banco do Brasil havia anunciado um programa de reestruturação que incluía o fechamento de 402 agências em todo o País. A instituição financeira confirmou que “o assunto foi apresentado pelo prefeito João Doria em reunião com o presidente do BB, Paulo Caffarelli, na quarta-feira, 28 de dezembro”, mas que o tema está “em avaliação”. Segundo a Prefeitura, além do BB, outras quatro instituições estariam sendo procuradas.

Vagas. A fila com que Doria trabalha se refere a dezembro – em setembro, eram 133 mil crianças fora das creches. O mapa mostra carência mais evidente no extremo sul da cidade. A maior demanda é do Jardim Ângela, que precisa de 5.002 vagas, seguida de Grajaú (4.134), Capão Redondo (3.765) e Cidade Ademar (3.554).

Para o especialista em Educação Salomão Ximenes, da Universidade Federal do ABC (UFABC), o estabelecimento de uma meta é um acerto, embora a demanda seja variável e cresça ao longo do ano. “Mas dizer que vai zerar a fila das creches é errado. À medida que são criadas vagas, gente que não estava na fila vai buscar um lugar.”

O professor também vê com desconfiança a proposta do prefeito. “Essa questão de tentar encontrar uma solução mágica no mercado não é exclusividade do Doria. Desde o (ex-prefeito Gilberto) Kassab isso acontece. A mais recente era abrir creches em estacionamentos do Carrefour (sugestão feita pela gestão Fernando Haddad, em 2015). A questão é que essas iniciativas não andam”, diz.

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