Docentes criticam avaliação oral

Professora diz que levar em conta a timidez ou a desenvoltura dos alunos é discriminação

Felipe Oda, Jornal da Tarde

21 Fevereiro 2011 | 20h52

Alguns especialistas argumentam que provas orais nos vestibulares não devem avaliar a personalidade dos candidatos. “Até concordo em ampliar o leque de habilidades exigidas dos candidatos”, diz a professora da Faculdade de Educação da USP, Silvia Colello. “Mas as diferenças de personalidade não podem interferir como critério de seleção no vestibular.”

 

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De acordo com a professora, “como o vestibular irá avaliar a oralidade dos candidatos sem cobrar a personalidade” é a grande dúvida na adoção do teste para os processos seletivos.

 

O modelo (prova oral) já foi adotado pela USP antes da unificação do processo seletivo que criou a Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), em 1976. Atualmente, a instituição só aplica testes orais em processos seletivos para cursos de especialização.

 

Silvia acredita que não é correto associar oralidade e personalidade. “O desenvolto não é necessariamente um bom orador, assim como também não é correto dizer que o tímido não sabe falar.”

 

Desenvolver as capacidades ligadas à comunicação verbal, como diálogo, argumentação, raciocínio e habilidade de ouvir, é uma meta educativa escolar antiga, segundo a professora da USP. “É um eixo prescrito nos padrões educacionais nacionais”, diz Silvia.

 

A justificativa dos especialistas para que a capacidade verbal não seja encarada como ‘nota de corte’ é a de que “a comunicação continuará a ser desenvolvida durante o curso superior”, segundo a professora do curso de psicopedagogia da PUC/SP, Neide Noffs.

 

“Levar em conta a timidez ou desenvoltura do candidato não é um processo de seleção, mas de discriminação de talentos individuais”, afirma Neide. Na opinião dela, é na escola que o indivíduo inicia sua alfabetização escrita e verbal. “Que é completada no ensino superior”, completa.

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