Doador secreto destina US$ 45 milhões a universidades nos EUA

Indivíduo ou grupo exigiu que instituições não tentassem identificá-lo; cheques foram pagos por advogados

Associated Press,

17 de abril de 2009 | 12h36

Um mistério atinge o mundo do levantamento de verbas para o ensino superior nos Estados Unidos. Nas últimas semanas, pelo menos oito universidades receberam doações num total de US$ 45 milhões, e as instituições tiveram de prometer não tentar descobrir a identidade do doador.

 

Uma das instituições chegou a entrar em contato com a Refeita Federal e com o Departamento de Segurança Interna do governo só para garantir que a doação de US$ 1,5 milhão não tinha fonte ilegal.

"Nos meus últimos 28 anos de levantamento de verbas... esta é a primeira vez que lido com uma doação na qual a instituição não sabe quem o doador é", disse o vice-presidente para avanço universitário da Universidade Estadual de Norfolk, que recebeu US$ 3,5 milhões.

 

As doações vão de US$ 8 milhões para Purdue a US$ 1,5 milhão para a Universidade da Carolina do Norte em Asheville.

 

Não está claro se as doações vieram de um só indivíduo, de uma organização ou de um grupo de pessoas com interesses similares. Em cada caso, o dador, ou doadores, contataram as universidades por meio de advogados ou outros intermediários. Parte do dinheiro veio em cheques avulsos, a algumas instituições receberam os cheques das contas de firmas de advocacia ou de outros representantes.

 

Todas as instituições tiveram de se comprometer a não investigar a identidade do dador. Algumas tiveram de assinar documentos formalizando o compromisso.

 

"Nossa reitora foi chamada a Denver por uma firma de advogados e teve de assinar um acordo de confidencialidade", disse Tom Hutton, porta-voz da Universidade do Colorado em Colorado Springs. "Uma vez que a chanceler assinou, ela foi enfática para que não tentássemos descobrir nada".

 

Todos os cheques foram entregues desde 1º de março, com as mesmas condições: a maior parte do dinheiro tem de ser usada para pagar bolsas de estudo, e o restante pode ser gasto em pesquisa, equipamento, metas estratégicas ou apoio operacional.

 

Geralmente, universidades que recebem doações anônimas sabem qual a fonte do dinheiro, e apenas se comprometem a não divulgá-la. Desconhecer a origem da verba pode causar problemas.

 

Willam Massey, pró-reitor de ex-alunos e desenvolvimento  da UNC-Asheville, disse que a faculdade entrou em contato com o Departamento de Segurança Interna, um órgão federal criado após os atentados de setembro de 2001, e com a Receita, antes de aceitar o dinheiro.

 

"Pode haver um problema ético se você aceita, conscientemente, fundos de renda ilegítima", disse Hutton, de Colorado Springs.

 

Os US$ 6 milhões doados à Universidade do Sul do Mississippi representam a maior doação única recebida pela instituição em sua história. "É um presente notável, ainda mais nestes tempos de dificuldade econômica", disse o vice-presidente David Wolf.

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