Do alto, adolescentes descobrem o tamanho de SP

A surpresa e o encantamento estavam nos olhos de Samuel Nascimento Júnior, de 12 anos, enquanto ele descobria o tamanho de São Paulo vista do alto da torre do edifício sede do Santander Banespa. "São Paulo é mesmo enorme", repetia. "Meu pai tinha me falado que a cidade era maior que Mauá, mas não sabia que era tanto."Samuel e outras 26 crianças e adolescentes saíram de Mauá, onde são atendidos na entidade Casa Mateus, para fazer um passeio especial ontem de manhã. O centro de São Paulo foi o destino dos jovens, que conheceram pontos históricos da cidade - Pátio do Colégio, Solar da Marquesa, Catedral da Sé.A caminhada faz parte do programa Redescobrindo o centro de São Paulo, resultado da parceria entre o Grupo Santander Banespa e a Fundação Abrinq.DescobertaPara alguns dos jovens foi uma verdadeira descoberta, pois nunca haviam ido ao centro da cidade. E quem já tinha passado por lá, ainda não conhecia as curiosidades e os personagens da região. Ontem, das histórias das festas no Solar da Marquesa de Santos ao cantor popular autografando CDs na Praça da Sé tudo era novidade e merecia atenção. "Já andei por aqui com minha família, mas não tinha reparado nos detalhes", conta Rafael Paulino Torres, de 14 anos.A Casa Mateus foi a terceira entidade a participar do projeto, de um total de 109 previstas. Além de passar para as crianças informações sobre a história e a geografia de São Paulo, o projeto tem como objetivo reforçar noções de cidadania. "Elas precisam ter consciência de seu poder de transformação para ajudar a melhorar a cidade", afirmou a superintendente do Grupo Santander Banespa, Wanda Pita.Até a poluiçãoEla conta que a idéia de criar o programa surgiu da observação dos grupos que visitam a torre do Banespa. "Muitas crianças não tinham idéia do tamanho da cidade." Era o caso de Samuel e também de Elizabeth Cavalcante da Silva, de 14 anos. "Gostei de tudo o que vi, principalmente de ver a cidade da torre", disse. "Lá de cima dá para ver tudo, até a poluição."As histórias que ouviu do guia sobre o casarão onde a marquesa de Santos promovia festas e o local onde foi rezada a primeira missa de São Paulo vão ficar guardadas na memória de Jéssica Alves de Araújo, de 12 anos. "Quando a professora me perguntar alguma coisa sobre a história da cidade vou saber responder tudo", afirma.Acostumado a acompanhar grupos de estudantes pelo centro, o guia Wilson da Silva Júnior, de 26 anos, ainda se entusiasma com a garotada, que chega "com os olhos brilhando" para o passeio. "Tem gente que ainda guarda uma imagem negativa dessa região. Algumas pessoas trabalham aqui e nunca entraram em uma dessas igrejas", lamenta.

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