Dividida, USP adia decisão sobre fundações

Não há mais data marcada para o debate final sobre o futuro das 33 fundações da Universidade de São Paulo (USP). Depois de cancelar, na terça-feira, o encontro em que seriam apresentados à comunidade os relatórios elaborados por grupos de trabalho no ano passado, o reitor Adolpho José Melfi deixou a questão em aberto."Fiquei muito triste porque havia um tema importante para ser debatido. Mas eles não estão preparados para um debate civilizado", disse Melfi ao deixar o auditório da reitoria, que foi invadido por estudantes contrários às fundações.Os alunos impediram a realização do evento, vaiando e gritando palavrões. "A gente não te elegeu, a gente não te respeita", gritou uma estudante do fundo do auditório. A declaração foi seguida de um palavrão. "Vem xingar aqui na frente", respondeu Melfi.Estavam presentes diversos integrantes do Conselho Universitário, órgão máximo da USP, encarregados de votar a regulamentação das fundações até o fim do ano. Havia menos de cem representantes do conselho e cerca de 300 estudantes. Depois de pedir várias vezes para que a platéia respeitasse a solenidade - e receber vaias como resposta -, Melfi declarou a sessão encerrada e se retirou.PasseataOs estudantes saíram em passeata para a reitoria, depois para a Faculdade de Economia e Administração (FEA) e terminaram a manifestação na Escola Politécnica - professores das duas unidades são os maiores incentivadores das fundações. "O reitor não está acostumado a trabalhar quando é minoria", disse o coordenador do Diretório Central Estudantil (DCE), Pedro Malavolta ? que garantiu ter tentado impedir as agressões no auditório."Isso mostra como o movimento estudantil não segue uma lógica, cada um faz o que quer e a discussão foi inviabilizada", afirmou a representante discente da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFLCH), Verena Hitner.Os grupos de trabalho produziram quatro relatórios e uma divisão na comunidade acadêmica. Uma ala defende a continuidade das fundações, cujas atividades vão desde a pesquisa até a oferta de MBAs pagos, e outra quer o fim delas.PrósO primeiro grupo é tido como majoritário. Propõe que as fundações sejam controladas por uma comissão e 10% de seu faturamento bruto seja repassado à universidade. Propõe também a criação da chamada USP Ágil, nome dado a um pacote de iniciativas para diminuir a burocracia na universidade.Este grupo leva em conta, por exemplo, o papel importante que tem a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que monitora preços e produz análises do cenário econômico no País. As fundações, de forma geral, têm liberdade jurídica para realizar projetos e captar recursos extra-orçamentários, o que as torna, em tese, um complemento aos salários e verbas de investimento na universidade.ContrasA outra ala produziu três relatórios - assinados pelos membros da Associação dos Docentes da USP (Adusp) e estudantes ? defendendo o fim das fundações, com uma fase de transição em que apenas uma fundação existiria. Os principais argumentos são as suspeitas de que algumas fundações estariam servindo a grupos restritos de professores, que organizam cursos pagos levando a grife da USP e repassam uma quantia ínfima dos recursos à universidade.Esta ala também alega que, tendo tantos benefícios nas fundações, os professores da USP tenderão sempre a se dedicar mais a elas do que aos cursos e projetos regulares da universidade, o que significaria uma evasão de recursos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.