Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Dissertação no Enem deve propor solução

Tema propõe reflexão do estudante, que deve apresentar argumentação coerente e incluir sugestão de saída para o problema

Simei Morais, Especial para o Estado

29 Setembro 2015 | 03h00

SÃO PAULO - A redação é considerada o ponto alto do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Dissertativo, o texto aborda sempre um tema nacional: um problema para exigir do candidato uma proposta de solução, a chamada intervenção. “O Enem promove uma prova de cidadania, e a redação é como um fórum anual de debates em que os alunos são convocados”, compara Maria Aparecida Custódio, professora do Laboratório de Redação do Curso e Colégio Objetivo.

A proposta de intervenção é, dos cinco critérios de análise dos corretores, aquele em que a maioria mais escorrega. Os outros, cada um valendo até 200 pontos, são norma culta, conhecimento do assunto, juízo de valor e coerência e coesão.

É nessa parte que o exame nacional requer um segundo posicionamento do estudante. “Além de apresentar seu ponto de vista com base na discussão do tema e de defendê-lo por argumentos coerentes, será preciso apontar um caminho que atenue aspectos negativos e que promova melhoria social”, explica Davi Fazzolari, professor e coordenador de Língua Portuguesa e de Produção de Texto do ensino médio no Colégio Visconde de Porto Seguro.

Outras redações de provas que são referência entre os estudantes, como a dissertação da Fuvest, não exigem esse posicionamento. Nos demais exames, o texto se atém mais à reflexão, como indicativo do espírito crítico.

Foco. Apesar de temida, a intervenção não tem segredo, de acordo com os professores ouvidos pelo Estado. O importante é focar no tema, que já carrega um problema para discussão, indica Simone Ferreira Gonçalves da Motta, professora e coordenadora de Português do Grupo Etapa. “O tema, sempre ligado a questões sociais e de direitos humanos, já favorece a proposta de intervenção.”

A ideia de solução deve vir no fim do texto, diz Simone, porque depende da organização do raciocínio e dos problemas levantados ao longo da dissertação. E deve ser factível, envolvendo ao menos três agentes. “A solução nunca deve partir só do governo. Também deve passar pela sociedade e pela família, ou por outras instituições, como a escola e ONGs, dependendo do assunto”, esclarece Maria Aparecida, do Objetivo.

Banco de apostas. Com viés nacional e social, a redação do Enem também possui seu banco de apostas sobre possíveis assuntos que poderão estar em foco na prova. “O tema é definido entre maio e junho, quando a prova é elaborada”, comenta Simone. “E sempre será um tema bem divulgado na sociedade”, destaca Maria Aparecida.

O programa Mais Médicos, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) das Domésticas, a lei do feminicídio, a desigualdade de gênero, o bullying nas escolas, a intolerância religiosa, a violência nas redes sociais e a mobilidade urbana são passíveis de dar cara à prova, avalia a professora do Objetivo.

“Em mobilidade não entram apenas as ciclovias de São Paulo, mas as questões que envolvem as grandes cidades no País, como estrangulamento de trânsito e excesso de carros”, exemplifica Simone, do Etapa.

Para a professora, ainda cabem como tema da redação assuntos como matriz energética e meio ambiente (com energias eólica e solar), crise hídrica no abastecimento de água e na geração de energia, novos formatos de família, jovens e o abuso de bebidas cada vez mais cedo e o uso da maconha para fins medicinais (por exemplo, no combate de epilepsias e outras síndromes.

Além de ler jornais e pesquisar em fontes fidedignas sobre esses temas, Fazzolari aconselha exercitar a escrita opinativa, produzindo alguns parágrafos logo após a leitura de editoriais e reportagens. “Se possível, leia aos amigos, pais e irmãos para verificar se o ponto de vista ficou claro. A clareza é um dos aspectos mais importantes nas redações”, diz o professor do Porto Seguro. “Seja qual for o tema da redação, ele estará vinculado ao nosso modo de vida, à nossa cultura.”

Dicas para uma boa redação

Editorial de jornal: Leia ao menos um por dia. Ajuda a se familiarizar com dissertações e a se manter atualizado.

Tempo de prova: Se você gasta uma hora e meia com a redação, vá reduzindo esse tempo até 70 ou 50 minutos. A prova inteira (redação mais 90 questões) dura cinco horas e meia.

Tema: Na prova, abra na redação e leia os textos de apoio. Sublinhe as palavras-chave e identifique a ideia central. Já pense na intervenção enquanto fizer a leitura dos textos motivadores.

Rascunho: Os professores indicam fazer a redação no rascunho e passar a limpo após resolver as questões. Se for escrever o texto depois, anote ideias que surgirem ao longo da prova.

Letra legível: Se sua cursiva for ilegível, opte pela letra de forma. O texto é escaneado para ser corrigido em computador. Se a letra não for legível, isso pode dificultar o entendimento.

Respeito à norma culta: Não use coloquialismo, abreviações e gírias. Valorize gramática, ortografia e pontuação.

Título da redação: O título não é obrigatório na redação do Enem, mas ajuda o autor a consolidar seu ponto de vista


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