Estabilidade motiva busca por cargo público

Quem se forma em Direito pode atuar na área fiscal, em bancos, nas Polícias CIvil, Militar ou Federal e até na Previdência Social

Tatiana Cavalcanti, Especial para O Estado

18 Agosto 2015 | 09h33

Salários melhores e estabilidade têm levado quem se forma em Direito a buscar uma oportunidade em carreiras públicas. A concorrência é alta e o candidato deve estar preparado para disputar vagas com oponentes capacitados e provas de níveis médio a difícil.

O campo é vasto e há opções de vagas nos tribunais, na área fiscal, em bancos e até na Previdência Social. Os candidatos também buscam oportunidades nas Polícias Civil, Militar ou Federal. Um dos concursos mais concorridos é para delegado de polícia.

Foram necessários quatro anos de dedicação exclusiva aos estudos segmentados para que o advogado Denis Ramos Camargo, de 31 anos, passasse no concurso para delegado de polícia. “Estudava todos os dias, das 7 às 20 horas. Deixei de sair com os amigos, de visitar a família e esqueci minha vida pessoal para alcançar esse sonho profissional. Assumo o cargo em setembro.”

O futuro delegado explica que criou uma metodologia organizada para obter sucesso. “Estudava com material específico e escolhia uma matéria por dia para me dedicar. É preciso muita disciplina, mas no fim dá certo se houver perseverança.” Ele passou tantos anos no cursinho da FMB, que é direcionado a cargos da carreira jurídica, que virou coordenador do curso de Direito Penal.

Demais carreiras. Outros concursos que chamam atenção dos candidatos com formação em Direito são para analista judiciário, oficial de Justiça e agentes da Polícia Federal ou da Polícia Rodoviária Federal, de acordo com o coordenador dos cursos para concursos públicos da rede de ensino LFG, Nestor Távora.

O professor Roberto Ewald Witte, da Central de Concursos, é especialista em técnicas de estudo para carreiras públicas e dá um conselho categórico: “Não espere o edital ser publicado”. Segundo Witte, o volume de matérias é muito grande e não haverá tempo de estudar tudo o que é necessário para passar no concurso. “Há raríssimas exceções, os gênios, que aprendem em pouco tempo. Recomendo estudar com antecedência, em especial os editais anteriores.”

A auxiliar jurídica Andressa Costa do Nascimento, de 23 anos, ainda está cursando Direito nas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), mas já decidiu que fará concurso para perícias forenses e está se informando sobre a área. “No decorrer da faculdade, fui me familiarizando com matérias de crimes, dos infratores, das vítimas e das facetas de controle e punição de criminosos.” Estudar Psicologia Forense, Criminologia e Medicina Legal mostra um lado interessante do Direito, segundo Andressa.

Ela se beneficia da tecnologia para aprender. “Tenho obtido auxílio pelas redes sociais. Participo de grupos online com enfoque em perícia criminal. Os membros compartilham matérias, simulados e experiências na área. Além disso, para alavancar a carreira, me matriculei para o curso de extensão em Ciências Forenses.”

Com foco. O advogado Fábio Henrique Assunção de Paula, de 34 anos, afirma que estuda com base nas provas anteriores e manuais de Direito. Ele ressalta que a internet ajuda, mas é importante direcionar o uso dessa ferramenta para o que realmente é importante para o candidato. “Há muito material virtual, porém é preciso saber o que ler, pois tem muita coisa desatualizada e que não é útil para o cargo.”

Ele também usou a plataforma de ensino a distância da LFG. “Gostei muito do formato, que me permitiu estudar nas madrugadas, quando o silêncio é maior.”

Manter uma rotina de estudo é fundamental, segundo o especialista em concurso público Marco Antônio Araújo, vice-presidente da Faculdade Damásio, que também oferece cursos preparatórios. “O fator mais relevante para uma rotina de estudos eficaz é a disciplina. O candidato deve destinar horas exclusivamente para o estudo, além de eleger um local apropriado para isso.”

O especialista aconselha que o candidato estude em um lugar diferente de onde realiza as atividades cotidianas. O ponto deve ser bem iluminado, silencioso e longe de aparelhos que tiram o foco do estudante, como celular e televisão.

“Seguir essa rotina rigorosamente costuma proporcionar mais rendimento ao candidato. Orientamos, ainda, que ele comece a revisar as matérias exigidas no edital, ponto a ponto. É preciso que a cada dia se estude uma disciplina diferente, finalizando o aprendizado com a resolução de questões de concursos anteriores.” Outra dica dele é ter qualidade de sono e boa alimentação.

Para o professor Leonardo Pereira, da IOB Concursos, um aspecto a ser considerado é que os alunos, em geral, têm saído da graduação com um grau de conhecimento menor, o que demanda mais tempo e paciência para o nivelamento necessário. “Os concursos públicos não diminuíram seus graus de exigência.”

Como a concorrência é enorme, muitos são os candidatos que traçam seus caminhos logo que entram na graduação. “Minha sugestão de ouro é fazer a graduação pensando no concurso público. Os cinco anos devem ser dedicados, também, às matérias que serão relevantes nessa prova. Nada será perdido.”

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