TV Assembleia/Reprodução
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Discurso de aluna secundarista na Assembleia Legislativa do PR viraliza

Ana Júlia Ribeiro, de 16 anos, falou em defesa das ocupações das escolas no Estado e defendeu a legitimidade do movimento; veja o vídeo

Luiza Pollo, Especial para o Estado

28 Outubro 2016 | 11h24

SÃO PAULO - A aluna Ana Júlia Ribeiro, de 16 anos, discursou na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) na última quarta-feira, 26, em nome dos estudantes secundaristas que ocupam as escolas no Estado. Segundo levantamento do movimento Ocupa Paraná, de 3 de outubro até a manhã desta sexta-feira, 28, 850 escolas, 14 universidades e três núcleos foram ocupados.

Emocionada, Ana Júlia falou da legitimidade do movimento (assista abaixo). "Nós não estamos lá de brincadeira. Nós sabemos pelo que estamos lutando. A nossa bandeira é a educação." Ela ressaltou que o movimento é apartidário e luta contra a medida provisória que reformula o ensino médio.

"A gente sabe que precisa de uma reforma no ensino médio, no sistema educacional como um todo. Mas a gente precisa de uma reforma que tenha sido debatida, uma reforma que tenha sido conversada."

Ela ainda falou da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que institui um teto de gastos para a União por 20 anos, e do movimento Escola Sem Partido, quando foi bastante aplaudida por colegas que assistiam ao discurso.

"Uma escola sem partido é falar para os jovens, é falar para a sociedade que querem formar um exército de não pensantes. Um exército que ouve e abaixa a cabeça. E nós não somos isso. Nós temos uma história."

No momento em que falou sobre a morte do estudante Lucas Eduardo de Araújo Mota, de 16 anos, esfaqueado em uma das escolas ocupadas, foi interrompida pelo presidente da Alep, Ademar Traiano (PSDB). Ela afirmou que as mãos dos parlamentares estavam sujas com o sangue do menino. "Aqui você não pode agredir o parlamentar", disse Traiano, que ameaçou encerrar a sessão.

"Eu peço desculpas, mas o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) nos diz que a responsabilidade pelos nossos adolescentes, nossos estudantes é da sociedade, da família e do Estado", respondeu Ana Júlia.

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